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Economia

Debate esquenta no governo sobre fim da taxa das blusinhas para melhorar popularidade de Lula

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O governo voltou a considerar acabar com a chamada “taxa das blusinhas”, que impõe um imposto sobre importações de até US$ 50. Essa iniciativa é impulsionada principalmente pela ala política, liderada pelo ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência, e envolve também setores da Casa Civil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No entanto, o Ministério da Fazenda ainda não está diretamente envolvido.

Há uma crescente preocupação sobre a estabilidade da popularidade do presidente Lula nas pesquisas e a crescente força da candidatura de Flavio Bolsonaro. Por isso, está em discussão a possibilidade de adotar uma medida provisória para eliminar a taxa de 20% sobre importações pequenas, vigente desde 2024.

Essa proposta revela uma divisão interna: uma parte vê benefício político na remoção do imposto, pois é um ponto em que o governo enfrenta forte rejeição, enquanto outra preocupa-se com o impacto negativo que isso pode causar ao comércio varejista nacional.

Nos levantamentos internos do Palácio do Planalto, a “taxa das blusinhas” aparece como um dos principais temas que desgastam o governo, ao lado de questões como segurança pública e combate à corrupção. Essa análise tem incentivado o setor político a pressionar pela revisão da política, com apoio do ministro da Casa Civil, Rui Costa.

A expectativa é que um eventual recuo nessa política seja mais viável com a gestão de Dario Durigan à frente do Ministério da Fazenda.

O retorno do debate acontece em meio à pressão pelo alto custo de vida e a busca do governo para aumentar a percepção de melhora na renda da população. Paralelamente, o governo trabalha em medidas para reduzir o custo do crédito e aliviar o peso das dívidas sobre os consumidores.

Existe a percepção de que a migração para empréstimos mais caros tem consumido parte da renda dos cidadãos, reduzindo o efeito positivo da desoneração do Imposto de Renda para famílias com rendimento até R$ 5 mil, apesar dos indicadores mostrarem ganhos reais acima da inflação.

O principal receio em reduzir a taxa é a reação negativa do comércio varejista, que defende o imposto para manter igualdade competitiva frente a plataformas internacionais.

Esse argumento contribuiu para a aprovação da taxa no Congresso, com apoio de diversas correntes políticas. Também há inquietação sobre as mensagens que a medida passa em termos de política econômica, especialmente no campo fiscal, embora o impacto sobre a arrecadação seja limitado, arrecadando menos de R$ 2 bilhões.

O debate se intensifica num momento de preocupação com possível aumento da inflação, devido ao fim do ciclo de queda nos preços dos alimentos e à alta global do petróleo.

Claramente, o governo está avaliando ajustes em sua agenda econômica para fortalecer a popularidade. Relaçar o consumo, que está estagnado desde o segundo semestre do ano passado, é visto como parte dessa estratégia. O desafio está em fazer isso sem causar instabilidade nos mercados nem efeitos adversos, como valorização do dólar.

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