Economia
Demissão da ex-CEO da TAP gera disputa judicial e política em Portugal
Christine Ourmières-Widener, ex-presidente executiva da TAP, declarou que sua demissão em 2023, determinada pelo governo de António Costa, não teve justificativa e levantou questões que ultrapassam um simples conflito pessoal, revelando, conforme ela, problemas profundos na administração pública em Portugal.
Em um artigo publicado no semanário Expresso, a gestora explica que sua ação judicial contra a companhia aérea tem o objetivo de exigir justiça e o respeito às leis portuguesas e europeias, sem buscar benefícios pessoais ou reconhecimento.
— Quando reformas difíceis são adotadas, mas nenhum responsável político assume o custo; quando os resultados são apropriados, porém a responsabilidade é ignorada, a questão deixa de ser individual e torna-se estrutural — afirmou Ourmières-Widener.
O processo judicial iniciado em setembro de 2023 ainda está pendente, sem data para julgamento no Tribunal Cível de Lisboa. Em maio de 2025, a TAP entrou com recurso para tentar anular a decisão que permitiu o andamento do caso.
— Quando a decisão é adiada sem prazo, o tempo passa a ter influência política, jurídica e, acima de tudo, humana — acrescentou a ex-CEO.
A ação contesta a demissão por justa causa anunciada em março de 2023 pelos ministros Fernando Medina (Finanças) e João Galamba (Infraestruturas). A decisão baseou-se em relatório da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) relativa a uma indenização controversa de 500 mil euros paga a Alexandra Reis.
O relatório classificou o pagamento como ilegal e apontou Ourmières-Widener e Manuel Beja, então presidente do conselho, como responsáveis pelo acordo de saída de Alexandra Reis em fevereiro de 2022, em violação às normas do Gestor Público.
Ourmières-Widener tem contestado firmemente essa conclusão, inclusive durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a gestão da TAP, afirmando que a decisão foi de natureza política.

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