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Deputado envolve hospital do pai em emenda parlamentar investigada
Eduardo Velloso, deputado federal do União Brasil-AC, está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura o uso indevido de recursos públicos destinados a emendas parlamentares. A investigação, denominada Operação Graco, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), busca entender irregularidades relacionadas à contratação de uma empresa para eventos culturais em Sena Madureira (AC), em setembro de 2024.
De acordo com os investigadores, há suspeitas de desvio de aproximadamente R$ 912 mil provenientes de emendas do tipo “Emenda Pix”, que permitem transferências diretas da União sem necessidade de convênios ou prévia prestação de contas.
Investigação mostrou que uma emenda assinada por Velloso, originalmente destinada a eventos culturais em Sena Madureira, foi redirecionada para o Instituto Brasil-Amazônia de Serviços Especializados e Saúde (Inbases). Esse instituto subcontratou o Hospital Oftalmológico do Acre, clínica particular do pai do deputado. Documentos da Receita Federal indicam que Eduardo Velloso foi sócio do hospital em períodos distintos entre 2006 e 2019.
Uma auditoria da CGU revelou que o hospital tem cobrado valores muito acima dos praticados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em cirurgias como de hérnia umbilical, histerectomia e colecistectomia, configurando superfaturamento. Por exemplo, a cirurgia de hérnia umbilical foi faturada a R$ 8.092,15, enquanto a tabela oficial do SUS prevê R$ 419,94.
Pelo menos R$ 331,1 mil da emenda de Velloso foram destinados ao hospital de seu pai. O parlamentar, por meio de sua assessoria, afirmou que a decisão pelo repasse foi da prefeitura, e que não houve interferência sua na alocação dos recursos.
Nas últimas análises, percebeu-se um aumento significativo no repasse de emendas para Organizações Não Governamentais (ONGs), muitas delas ligadas a familiares, ex-assessores e aliados políticos dos congressistas. Em reação a essa prática, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu que emendas sejam direcionadas a entidades privadas sob controle de familiares ou assessores dos parlamentares indicantes.

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