Brasil
Deputado evangélico apoiou acordo do INSS com entidade suspeita de fraude
Deputado Silas Câmara, uma das figuras principais da bancada evangélica, esteve envolvido na formalização de um acordo entre o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), que está sob investigação por alegações de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Desde o início do acordo, a CBPA recebeu do INSS a quantia de R$ 221 milhões entre março de 2023 e abril de 2025, período em que a Operação Sem Desconto investigou supostas irregularidades nas entidades envolvidas.
Silas Câmara participou de encontros com a diretoria do INSS e com o presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, em 2021, ainda sob o governo anterior. Na época, foi firmado um protocolo para permitir descontos nas aposentadorias dos filiados à CBPA, com valores de até 2,5% dos benefícios.
Segundo Silas Câmara, o acordo representaria um avanço para mais de um milhão de pescadores artesanais no país.
A partir de julho de 2022, os descontos passaram a ser aplicados e o número de beneficiários cresceu significativamente, assim como os repasses financeiros mensais para a CBPA, que saltaram para valores milionários em 2025.
Investigadores descobriram que muitos associados não autorizavam os descontos, e a entidade não conseguiu comprovar a regularidade das transações. A CPI do INSS passou a investigar o caso após depoimentos e documentos que indicam contratos da CBPA com empresas ligadas à família de Silas Câmara, somando R$ 1,8 milhão.
Além disso, familiares de Silas receberam contratos para prestação de serviços relacionados à divulgação e assessoria da entidade.
A defesa do deputado alegou que não há provas de irregularidades e que os laços familiares não indicam ilegalidade.
A filha do deputado foi contratada para serviços jurídicos na CBPA, enquanto a ex-esposa e deputada Antonia Lucia o acusa de má gestão dos recursos dos pescadores.
Silas Câmara também atuou para manter o papel das entidades representantes na intermediação do seguro-defeso, benefício pago pelo INSS em períodos de proibição da pesca, mostrando sua influência política nesse cenário.
O caso exemplifica as divergências entre lideranças evangélicas influentes, com disputas internas evidentes nas recentes apurações e posicionamentos políticos variados entre seus membros.

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