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Deputados criticam governo francês por acordo UE-Mercosul e situação na Venezuela
Deputados da esquerda radical apresentaram, na sexta-feira (9), uma moção de censura contra o governo francês, alegando que a França foi desrespeitada pelo acordo entre a União Europeia e o Mercosul, do qual Paris se opõe, além da postura sobre a Venezuela.
O tratado de livre comércio foi aprovado pela UE e será assinado brevemente pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Na véspera, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que votaria contra o acordo, refletindo a posição política contrária predominante no país.
O partido A França Insubmissa (LFI), liderado por Jean-Luc Mélenchon, apresentou a moção contra o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, criticando a situação que consideram uma vergonha para a França em Bruxelas.
Na quinta-feira, o presidente do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), Jordan Bardella, anunciou que também apresentaria uma moção de censura no governo francês e outra no Parlamento Europeu contra a Comissão Europeia.
O primeiro-ministro francês acusou ambos os partidos de agirem com cinismo e de enfraquecerem a posição da França, especialmente enquanto o governo tenta aprovar seu orçamento para 2026 sem maioria no Parlamento.
Uma fonte do Executivo revelou que Sébastien Lecornu solicitou ao ministro do Interior, Laurent Nuñez, que prepare a possibilidade de antecipar as eleições legislativas para março, caso as moções de censura sejam aprovadas.
A Comissão Europeia negocia com o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, desde 1999 para criar a maior área de livre comércio do mundo, atendendo a mais de 700 milhões de consumidores. O acordo eliminaria tarifas para a maioria do comércio bilateral.
Apesar do potencial econômico, o setor agrícola europeu teme a concorrência de produtos sul-americanos, que possuem regras de produção consideradas menos rígidas, enquanto exportará veículos, máquinas, queijos e vinhos para o Mercosul.
A líder parlamentar da LFI, Mathilde Panot, também criticou o governo por não condenar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, classificando como humilhante a postura francesa no cenário internacional.
Na moção, os deputados da esquerda radical condenam a intervenção dos EUA na Venezuela e pedem a libertação imediata do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que estariam presos nos Estados Unidos.

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