Mundo
Deputados denunciam ocultação de cúmplices de Epstein pelo governo
Deputados americanos acusam o governo de esconder a identidade de ao menos seis indivíduos que poderiam estar envolvidos com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Thomas Massie, do Partido Republicano, e Ro Khanna, do Partido Democrata, que examinaram os documentos sem as censuras, afirmam que a divulgação dos arquivos pelo Departamento de Justiça em janeiro contraria a lei aprovada no ano anterior, que busca transparência no caso.
Os seis suspeitos incluem o empresário americano Leslie Wexner, proprietário das marcas Victoria’s Secret e Abercrombie & Fitch; Sultan Ahmed bin Sulayem, empresário dos Emirados Árabes Unidos e CEO da DP World, uma companhia de logística; além de quatro outras pessoas pouco conhecidas: Salvatore Nuara, Zurab Mikeladze, Leonic Leonov e Nicola Caputo.
Desde a última segunda-feira, membros da Comissão de Supervisão da Câmara passaram a analisar versões completas, sem cortes, de cerca de 3 milhões de páginas referentes ao caso, divulgadas conforme a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, vigente desde dezembro. A lei determina a liberação integral dos documentos, preservando apenas informações das vítimas ou casos em investigação.
Os deputados criticam o Departamento de Justiça por disponibilizar apenas quatro computadores em uma sala restrita, onde não é permitido entrar com celulares ou assistentes, o que, segundo eles, torna praticamente impossível revisar todo o material em tempo hábil. Khanna comentou: “Se descobrimos esses seis nomes em duas horas, imagine quantos mais estão sendo protegidos entre esses milhões de documentos. Por que estão defendendo esses poderosos?”
Massie e Khanna, criadores da lei, dizem que há ainda em muitos arquivos cortes indevidos realizados pelo FBI antes de os documentos chegarem ao Departamento de Justiça.
Jamie Raskin, outro democrata que teve acesso aos documentos completos, apontou que o nome de Donald Trump foi omitido em diversas partes onde não deveria, inclusive em uma troca de e-mails de 2009 entre advogados de Epstein e do então presidente, relacionados às visitas do criminoso a Mar-a-Lago, na Flórida.
Em entrevista, Raskin afirmou que o nome de Trump aparece mais de um milhão de vezes nos documentos completos, inclusive em conversas que contestam a versão de Trump sobre o fim de sua relação com Epstein, que teria ocorrido em 2004. Esses e-mails mostram, entre outras coisas, uma ligação telefônica abrangida na correspondência de 2009 entre Epstein e sua companheira, Ghislaine Maxwell.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login