Economia
Deputados europeus podem barrar acordo UE-Mercosul na Justiça
Apesar da insatisfação dos agricultores e da resistência da França, os países membros da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira o acordo de comércio livre com o Mercosul. Isso permite que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje já na segunda-feira ao Paraguai para assinar o tratado comercial com o bloco sul-americano.
Mesmo que a assinatura ocorra na próxima semana em Assunção, o acordo não entrará em vigor imediatamente, pois do lado da União Europeia é necessário também o aval do Parlamento Europeu, que deverá se manifestar em algumas semanas.
O ponto crítico é que cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para bloquear a aplicação deste acordo.
Ainda há desafios a serem superados. O número expressivo de eurodeputados de grupos de extrema direita nesta legislatura, a oposição da Esquerda e as dificuldades para que os demais grupos mantenham uma posição unificada devido aos interesses nacionais indicam votações equilibradas, conforme reportagem do El País.
O tratado é resultado de mais de 20 anos de negociações e é considerado histórico, pois estabelecerá uma zona de livre comércio com mais de 720 milhões de consumidores. Juntas, as economias totalizam US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).
Em dezembro, a União Europeia adiou a tentativa de assinatura depois que o presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, se recusaram a apoiar o texto até que fossem apresentadas garantias para proteger a agricultura europeia.
Esta semana, Bruxelas intensificou as negociações para eliminar os últimos impedimentos. Na quarta-feira, ministros da Agricultura da UE se reuniram para discutir medidas adicionais de apoio aos agricultores, que temem a concorrência dos produtos do Mercosul.

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