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Dinamarca vota eleição disputada com premiê favorita
Os eleitores na Dinamarca vão às urnas nesta terça-feira (24) para uma eleição legislativa com resultado imprevisível. A primeira-ministra Mette Frederiksen é apontada como favorita para conquistar um terceiro mandato, em grande parte devido à sua postura contrária a Donald Trump sobre a Groenlândia.
Elisabet Svane, analista política do jornal Politiken, disse à AFP que, apesar das incertezas na formação do governo, há uma grande chance de que Frederiksen continue no comando. “Mesmo que as pessoas tenham críticas a ela, a reconhecem como uma líder apropriada”, explicou.
Frederiksen está à frente do governo da Dinamarca desde 2019, país com cerca de seis milhões de habitantes. Ela enfrentou o presidente dos EUA em relação ao interesse americano pela Groenlândia, território autônomo estratégico para Washington.
Pesquisas recentes indicam uma pequena vantagem para o bloco de esquerda frente ao bloco de direita, porém, nenhum grupo atingiria a maioria das 179 cadeiras no Parlamento dinamarquês, o Folketinget.
As cadeiras dedicadas às regiões ultramarinas, Groenlândia e Ilhas Faroé, que garantem duas vagas cada, podem ser decisivas para o equilíbrio parlamentar, assim como os deputados do partido ‘Os Moderados’, ao qual pertence o atual ministro das Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen.
Em Nuuk, capital da Groenlândia, a campanha despertou interesse excepcional, com mais de 20 candidatos disputando as vagas disponíveis.
O deputado do Parlamento local, Juno Berthelsen, que liderou o partido autonomista Naleraq, pró-independência rápida da Groenlândia, acredita que esta eleição pode ser um indicativo importante para o futuro da região. Ele afirma que, apesar do foco internacional sobre Trump, a população groenlandesa está preocupada sobretudo com seu desejo histórico de autonomia.
Naaja Nathanielsen, ministra da Justiça, Recursos Minerais e Assuntos Econômicos e candidata pelo partido de esquerda IA, ressaltou que a campanha tem no medo dos Estados Unidos um tema central. Segundo ela, a agressividade americana fez crescer o interesse em fortalecer a representação groenlandesa no Parlamento dinamarquês.
Na Dinamarca continental, questões como o custo de vida, o sistema de bem-estar social e o meio ambiente dominaram o debate eleitoral. A água potável, impactada pela contaminação por nitratos devido à pecuária, tornou-se um tema de destaque promovido pelos partidos de esquerda.
Além disso, o tema imigração ganhou espaço, com os sociais-democratas propondo 18 novas medidas. A primeira-ministra defende como justa a iniciativa de restringir atendimento médico não essencial a estrangeiros que tenham cometido ameaças ou sido violentos contra profissionais de saúde, afirmando que esta medida seria um complemento à pena legal.
Por sua vez, o Partido Popular Dinamarquês, de extrema direita, que defende a suspensão das autorizações de residência permanente, considera essas propostas insuficientes.
A votação na Dinamarca continental encerrará às 20h00 (16h00 no horário de Brasília), momento em que os resultados das pesquisas de boca de urna serão divulgados.

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