Economia
Diretor do BC alerta sobre créditos falsos do Master em depoimento à PF
Ailton Aquino, diretor de fiscalização do Banco Central, declarou em seu depoimento à Polícia Federal que o Banco Master emitiu créditos falsos, comparando essa situação ao caso do Cruzeiro do Sul, que foi encerrado em 2012.
Ao ser questionado sobre as Cédulas de Crédito Bancário (CCB) inexistentes, Aquino afirmou:
“Este caso é bastante parecido com o do Cruzeiro do Sul. Naquela situação, também houve a criação de créditos fictícios, detectados por nossos métodos de auditoria. A técnica usada para identificar esses créditos no Cruzeiro do Sul também foi aplicada aqui, pois os valores eram repetidos, indicando irregularidades semelhantes. No caso do Cruzeiro do Sul, o limite do valor para a central de risco de crédito foi reduzido para dificultar a criação desses créditos falsos”, explicou o diretor.
Ailton Aquino ressaltou que o Banco Central confirmou inequivocamente que os créditos do Master são inexistentes. Apesar de ter sido instruído por seus advogados a limitar suas declarações, ele destacou a evidente irregularidade no caso.
Além disso, Aquino mencionou a empresa Tirreno, criada no final de 2024, que segundo as investigações pode ter sido um ‘empresa de fachada’ para facilitar uma operação de auxílio ao banco gerido por Vorcaro.
Ele comentou: “Meus advogados me orientaram a não extrapolar nas respostas, mas há um ponto central. Dona Maria recebeu algum crédito via Pix ou TED? Perguntamos diversas vezes e não há comprovação. Quantas transferências a Tirreno realizou durante sua administração? Nenhuma. Não existe registro de TED ou Pix feitos por essa empresa.”
Em outra parte do depoimento, descreveu uma reunião com representantes da Tirreno, onde foram evidentes discrepâncias sobre o montante do crédito solicitado. Ele acrescentou que a empresa é pouco conhecida e mantém relacionamento apenas com o Master.
“A Tirreno era uma entidade desconhecida, representada por André na Cartus/Tirreno. Perguntei repetidamente quanto crédito ele havia gerado, ouvindo respostas que iam aumentando gradativamente: primeiro 50, depois 30, e mais tarde R$ 50 milhões. Sabíamos que esses valores não eram reais. Após intensa inquirição, André afirmou que o total gerado foi de R$ 6,2 bilhões, o que é inviável tecnicamente. Onde estariam os registros dessas transferências via Pix? O único contato da Tirreno é com o Master, iniciado em 23/05/2025.”

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