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Discurso de Trump no Congresso: o que esperar
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, fará um pronunciamento na noite desta terça-feira, 24, durante uma sessão conjunta do Congresso em Washington. Após um revés significativo na Suprema Corte, que anulou seu pacote de tarifas comerciais, e diante de índices de popularidade em declínio, espera-se que o republicano busque ressaltar as conquistas de seu governo em um momento delicado de sua administração.
“Será um discurso extenso”, afirmou Trump, “pois há muito a ser abordado”. O evento está agendado para as 21h, horário local (23h em Brasília), e acontece pouco antes das eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
Nas últimas décadas, o discurso do Estado da União tornou-se uma data política muito aguardada e amplamente acompanhada pela mídia americana, seguida geralmente por uma resposta do partido de oposição. Este ano, a resposta virá da governadora democrata da Virgínia, Abigail Spanberger.
Trump dedicou parte de seu fim de semana à preparação do discurso, revisando o texto com um pequeno grupo de assessores, conforme informações de fontes próximas ao presidente.
Antes da cerimônia, ele realizará o tradicional almoço com os principais apresentadores das cinco maiores redes de TV dos EUA: NBC, CBS, ABC, Fox e CNN. Também foram convidadas novas emissoras, embora não tenha sido divulgado quem participará.
Expectativas para o discurso
O pronunciamento ocorre em um momento crítico para Trump: sua aprovação está em baixa, o Partido Republicano teme perder o controle de pelo menos uma casa do Congresso, a Suprema Corte acaba de rejeitar sua principal política tarifária e ele considera possíveis ações militares contra o Irã.
A Constituição americana determina que o presidente informe regularmente ao Congresso sobre o Estado da União e recomende ações consideradas importantes. Espera-se que Trump enfatize suas maiores realizações do primeiro ano no cargo e apresente sua agenda para o futuro.
Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, afirmou que o presidente defenderá que os republicanos são os mais aptos a enfrentar as principais preocupações do público, como o custo de vida.
“Ele argumentará que, com mais três anos de governo e o Congresso nas mãos republicanas, o sonho americano poderá ser recuperado, perdido sob a administração de Joe Biden e dos democratas”, disse Leavitt.
O discurso também celebrará os 250 anos da independência dos Estados Unidos, segundo a porta-voz.
Trump deve criticar a decisão da Suprema Corte que rejeitou suas tarifas e discutir estratégias para contornar esse revés sem envolvimento do Congresso ou impacto nos mercados financeiros.
Além disso, é esperado que peça aumento nos fundos militares e reforço nos requisitos para identificação dos eleitores. Ele deve defender as operações de imigração, que receberam críticas de ambos os partidos após a morte de dois americanos.
Esse tema pode representar um risco político às vésperas das eleições de novembro, nas quais os democratas podem garantir vitórias no Congresso.
A oposição pretende boicotar o discurso, participando em lugar disso de um evento chamado “Discurso do Povo sobre o Estado da União” no National Mall, em Washington.
Foco na política externa
O discurso acontece em meio ao envio de dois porta-aviões americanos ao Oriente Médio, em contexto de tensões com o Irã.
Trump deve abordar os ataques aéreos dos EUA do ano anterior contra instalações nucleares iranianas e elogiar a ação que derrubou o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Também é provável que mencione o papel de seu governo na negociação de cessar-fogo entre Israel e Hamas em Gaza.
Não está claro como ele abordará as tensões nas alianças militares dos EUA, como a pressão sobre a Otan envolvendo a Groenlândia e a falha em cumprir a promessa de encerrar a guerra na Ucrânia em diálogo com o presidente russo, Vladimir Putin. Nesta terça-feira, completaram-se quatro anos do conflito entre Rússia e Ucrânia.
Jennifer Anju Grossman, ex-redatora de discursos do presidente George H.W. Bush e atual CEO da Atlas Society, comentou que Trump pode destacar que as políticas de Maduro devastaram a economia da Venezuela, afetando um dos países mais ricos em petróleo do mundo.
Ele provavelmente defenderá que o petróleo venezuelano ajudará a reduzir o preço da gasolina nos Estados Unidos, embora Grossman ressalte que será um desafio relacionar esses eventos internacionais à situação interna americana.

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