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Disputa no Ceará entre Ciro e PT une oposição e faz ministro deixar Brasília para ajudar aliado
O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), anunciou recentemente que pretende deixar seu cargo para se dedicar às campanhas pela reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro.
Camilo Santana explicou que tem até março para decidir, mas ressaltou que a função ministério o afasta do estado que governou por dois mandatos e onde foi eleito senador em 2022. Essa decisão surge após o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) lançar sua candidatura ao governo do Ceará e liderar as pesquisas eleitorais.
“Poderei retornar ao Senado para me empenhar na campanha, pois sabem que o papel de ministro demanda atenção em todo o país, dificultando a presença no nosso estado. Vou me empenhar bastante para evitar retrocessos tanto no Brasil quanto no Ceará”, disse Camilo em conversa com jornalistas no Ministério da Educação.
Na mesma data, o ministro reafirmou seu apoio a Elmano Freitas. Contudo, ele também é visto como possível candidato principal caso a candidatura de Ciro Gomes ameace a reeleição do atual governador.
“Temos até março para tomar a decisão. Quero deixar claro que meu candidato é Elmano Freitas. Trabalharei para que ele e o presidente Lula sejam reeleitos”, afirmou Camilo Santana. “Nossa equipe no MEC é competente. O ministério segue funcionando bem e minha saída não impactará as ações em andamento.”
Desafios iniciais
Uma pesquisa recente mostrou que Ciro Gomes lidera a corrida pelo governo do Ceará com 44% das intenções de voto, enquanto o atual governador possui 34%. Em um possível segundo turno, Ciro venceria o petista por uma diferença significativa de 10 pontos percentuais (49% a 39%).
Para o PT e a base do presidente Lula, é essencial manter o governo estadual frente ao ex-aliado do presidente. O PT governa o Ceará desde 2015. Considerado um reduto eleitoral importante para Lula, o estado é o terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste.
Camilo Santana é considerado um aliado estratégico pela atuação nas eleições municipais de 2024. Durante a campanha, ele tirou férias para dedicar-se à candidatura de Evandro Leitão (PT) à prefeitura de Fortaleza — única capital governada por um petista na última eleição.
Leitão iniciou a campanha em desvantagem, mas conseguiu superar adversários importantes no segundo turno, contando com o apoio de Camilo Santana e do presidente Lula.
Ciro Gomes deixou o PDT, partido da base de Elmano Freitas, e filiou-se ao PSDB no ano passado. A aproximação do PDT com o PT gerou insatisfação interna, além do descontentamento de Ciro com a situação política envolvendo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.
Ciro Gomes está tentando formar uma aliança unificada entre os principais nomes de oposição, incluindo lideranças bolsonaristas, para enfrentar o PT nas eleições. Ele fez gestos ao deputado federal André Fernandes, importante líder bolsonarista local, mas enfrentou resistência, inclusive da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, contrária a essa aliança.
Ciro afirmou que sua chapa majoritária incluirá ele mesmo, o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União) e o ex-deputado Capitão Wagner, seu antigo adversário. Ainda não há confirmação definitiva sobre as vagas específicas que cada um disputará, e a segunda vaga para o Senado permanece em negociação.

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