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Disputa política na direita aumenta com prisão de Bolsonaro e conflito entre Flávio e Michelle

A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificou uma disputa interna na família sobre quem deve ocupar o principal papel político. Aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a veem como sucessora natural, devido à convivência diária com o marido e à sua proximidade direta, mas os filhos do ex-presidente resistem a essa ideia, buscando se posicionar como representantes oficiais do pai.
Na última quarta-feira, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que filhos e netos de Bolsonaro o visitem sem a necessidade de aprovação judicial, equilibrando simbolicamente o poder do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesse contexto. Flávio tem se destacado como a principal voz da família em Brasília, participando de movimentos da oposição no Congresso, incluindo uma obstrução parlamentar e protestos noturnos liderados por apoiadores do ex-presidente, além de múltiplas declarações desde a prisão domiciliar do pai.
Flávio também conquistou o apoio de antigos aliados como Sergio Moro (União-PR) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que criticaram o Supremo Tribunal Federal (STF) e denunciaram uma perseguição política contra Bolsonaro.
Quando questionado sobre a possibilidade de Michelle assumir o protagonismo político, Flávio afirmou que ela não possui o perfil adequado para tal função, destacando que ela não é habituada a falar com a imprensa ou conceder entrevistas, e que outros parlamentares poderiam exercer o papel de porta-vozes.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por sua vez, mantém influência como articulador internacional do grupo, buscando apoio nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e defender as ações do pai.
Os vereadores Carlos Bolsonaro e Jair Renan adotaram uma postura mais discreta durante esse período. Enquanto Jair Renan esteve recentemente em Brasília, Carlos não visitou a capital federal neste mês e, ao saber da prisão do pai, passou mal e precisou de exames cardíacos, mas foi liberado posteriormente sem complicações.
No ambiente político, o nome de Flávio parece ganhar mais apoio entre aliados parlamentares em comparação à ex-primeira-dama. A relação entre Carlos e Jair Renan com Michelle é complicada, embora o vereador do Rio tenha demonstrado maior tolerância diante da postura dela durante a recente internação do ex-presidente.
Essa disputa pelo protagonismo evidencia uma divisão familiar que mistura fatores políticos e pessoais. Enquanto Michelle conta com o respaldo de parte da base bolsonarista e acesso direto a Bolsonaro, Flávio aparece como a figura com maior articulação institucional e apoio dos membros do Congresso.
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que, na ausência de Eduardo, Flávio assumirá a liderança da família no Congresso Nacional, ressaltando sua habilidade política moderada e a representação dos valores do grupo, independentemente dos laços familiares.
A ex-ministra e atual senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destaca que a importância de Michelle vai além das relações familiares, considerando-a uma voz forte do movimento de direita que enfrenta injustiças e perseguições.
Da mesma forma, a deputada Bia Kicis (PL-DF) defende que Michelle é a principal porta-voz do ex-presidente, por ser a pessoa com quem ele mantém contato constante.
Desde a prisão, Michelle também tem participado de uma agenda intensa, visitando estados como Pará e Paraíba para eventos com apoiadores. A expectativa é que ela continue se destacando politicamente, visando possíveis candidaturas ao Senado ou a composição de chapa presidencial em 2026.

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