Economia
Dívidas das famílias: entenda o alerta do governo
O presidente Lula e o chefe do Banco Central, Gabriel Galípolo, mostraram nesta quinta-feira preocupação com os juros aplicados aos consumidores e com o crescimento das dívidas das famílias, em um momento no qual o governo busca formas de incentivar linhas de crédito com juros menores que cartão de crédito e empréstimos pessoais.
Por que o governo está preocupado?
A situação gera apreensão diante da proximidade das eleições, levando o presidente Lula a convocar uma reunião com membros da equipe econômica e especialistas políticos para definir ações a serem tomadas.
O que Lula declarou?
Na quarta-feira, Lula pediu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que elaborasse medidas para conter o endividamento das famílias. Em evento no interior de Goiás, ressaltou que dívidas contraídas para investimento são adequadas.
O problema, para ele, são as dívidas acumuladas por compras frequentes de pequenos produtos pela internet, que ao final do mês somam valores que prejudicam o orçamento familiar.
— É frustrante trabalhar o mês inteiro, receber o salário e não sobrar nada. E aí a culpa acaba recaindo sobre o governo. Isso é natural. A mente das pessoas funciona assim — afirmou o presidente.
Qual é a situação dos números?
O montante de financiamentos por cartão de crédito aumentou 16,1% nos últimos doze meses, ritmo parecido com o crescimento do crédito pessoal não consignado. Já o crédito rotativo subiu 31% nesse período.
Esse aumento aconteceu enquanto opções de crédito mais baratas, como o consignado para aposentados do INSS, tiveram baixa adesão ou estagnação.
O endividamento das famílias tem crescido nos últimos meses e a parcela da renda comprometida com dívidas bancárias aumentou de 27,5% para 29,2% em um ano.
Dados do Banco Central indicam que existem 101 milhões de pessoas com cartão de crédito. Desses, 40 milhões usam o crédito rotativo, que tem uma taxa média de juros anual de 424,5%, a mais alta do mercado.
Na modalidade de parcelamento pelo banco, com juros médios de 194,9% ao ano, há 37 milhões de clientes. O Banco Central ressalta que uma pessoa pode estar em ambas as modalidades.
O acesso ao crédito consignado é de quase 30 milhões, com juros médios que variam de 22% (setor público) a 51% (setor privado). Para o crédito não consignado, 49 milhões de pessoas acessam essa modalidade, pagando taxas médias de 100% ao ano.
— A maioria que usa crédito está pagando taxas acima de 100% ao ano nas linhas emergenciais, o que demanda uma análise estrutural dessa situação — explicou o presidente do BC.
Qual a proposta em discussão?
A estratégia atual busca incentivar os consumidores a escolherem opções de crédito com menores custos.
O crédito consignado privado tem apresentado crescimento após medidas do governo. Para esse tipo de crédito, o governo quer agir para evitar taxas abusivas. A ideia de estabelecer um teto rígido para os juros perdeu força.
Agora, a abordagem será parecida com a adotada no setor de combustíveis: coibir diretamente casos de taxas de juros excessivas através de sanções — com o conceito de preço anormal definido com base na média das taxas praticadas no mercado.


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