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dólar cai ligeiramente após alta nos últimos dois pregões
O dólar terminou o pregão desta terça-feira (3) recuando levemente no mercado brasileiro, seguindo a tendência da moeda americana no exterior, que sofreu nova queda depois de um aumento recente devido à indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve por Donald Trump. A valorização do petróleo e a provável entrada de capital estrangeiro na bolsa nacional ajudaram na valorização do real.
A leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) levou instituições importantes, como Santander e Itaú, a revisarem a previsão de redução da taxa Selic em março de 0,25 ponto para 0,50 ponto percentual, mas sem alterar a expectativa de que o alívio monetário será gradual. A manutenção de uma taxa real elevada e um amplo diferencial entre os juros continuam a estimular o carry trade e a desestimular posições em dólar.
Logo pela manhã, o dólar chegou a testar o piso de R$ 5,20, atingindo o menor valor do dia em R$ 5,2065. No entanto, reduziu o ritmo de queda ao longo da tarde, encerrando com uma perda de 0,18%, cotado a R$ 5,25, após duas sessões de alta consecutivas. Nos dois primeiros pregões de fevereiro, a moeda sobe 0,05% em relação ao real, após uma baixa de 4,40% em janeiro, que foi a maior desvalorização mensal desde junho de 2025, quando a queda foi de 4,99%.
O diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, destaca que o cenário externo segue bastante favorável para os ativos brasileiros. Ele ressalta que o fluxo estrangeiro ultrapassou R$ 26 bilhões na B3 em janeiro, um dos maiores patamares registrados na série histórica.
“O Brasil é um dos países que mais se beneficiam do atual contexto geopolítico. A entrada desses recursos externos era esperada. Vejo potencial para o real continuar se valorizando. O dólar pode ficar abaixo de R$ 5,00 no primeiro semestre”, afirma Oliveira, que ainda destaca que o início do ciclo de cortes na Selic não abala o real. “O carry trade vai continuar elevado”.
Internacionalmente, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuava cerca de 0,20% ao final do dia, por volta dos 97,450 pontos, depois de alcançar o valor mínimo de 97,298 pontos. Dentre as moedas de países emergentes e exportadores de commodities, o dólar australiano destacou-se com ganhos próximos a 0,90%, após o Banco Central da Austrália aumentar os juros.
Na parte da tarde, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um pacote de financiamento governamental de US$ 1,2 trilhão, revisado pelo Senado, para encerrar a paralisação parcial do governo americano. A divulgação de dados importantes do mercado de trabalho, como o relatório Jolts e o payroll de janeiro, foi adiada devido à paralisação.
Por aqui, a ata do Copom da semana passada teve grande destaque, pois indicou o início iminente do ciclo de cortes na taxa Selic em março. A ausência de sinais mais rígidos no documento, que reafirmou a mensagem do comunicado anterior, abriu espaço para apostas em uma redução inicial da taxa básica em 0,50 ponto percentual.
O comitê destaca na ata a “necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos” para consolidar o “processo de desinflação” e aponta que a intensidade e duração do ciclo de flexibilização monetária serão definidas ao longo do tempo, conforme os indicadores econômicos.
Segundo Cristiano Oliveira, do Banco Pine, o Banco Central já possuía “condições técnicas” para começar o ciclo de cortes na taxa em janeiro, mas preferiu uma abordagem mais cautelosa, ajustando inicialmente o tom da comunicação.
“Após o comunicado da semana passada, a curva de juros já começou a indicar uma maior probabilidade de corte de 0,50 ponto percentual em março. Alguns analistas que previam um corte de 0,25 ponto estão ajustando suas projeções com base na ata”, explica o diretor do Pine, que desde a decisão colegiada da semana passada espera redução de 0,50 ponto em março e Selic em 11,50% no final do ano.

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