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Economia

Dólar sobe com indicação do Fed e fecha janeiro em baixa

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O dólar teve uma alta significativa nesta sexta-feira (30), acompanhando a valorização da moeda americana no mercado internacional. Operadores financeiros comentam que houve um ajuste após a indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve, o que diminuiu preocupações sobre interferências de Donald Trump na política monetária dos EUA.

Os metais preciosos como ouro e prata, que haviam subido em resposta à queda do dólar, sofreram uma forte queda nesta sexta-feira. Entre as moedas globais, as divisas dos países emergentes foram as mais afetadas, especialmente as latino-americanas e o rand da África do Sul, principais pares do real.

Com máxima alcançada a R$ 5,2785 no período da tarde, o dólar ao vista fechou em alta de 1,04%, cotado a R$ 5,2476. Apesar desse aumento, o dólar recuou 0,73% na semana e 4,40% no mês de janeiro, marcando a maior queda mensal desde junho de 2025, quando caiu 4,99%. Em dezembro, o dólar havia subido 2,89%, influenciado pelo aumento nas remessas para o exterior e instabilidades políticas domésticas.

Marcos Weigt, diretor da Tesouraria do Travelex Bank, comenta que a nomeação de Warsh para o comando do Fed foi o ponto de partida para o reajuste dos preços dos ativos, corrigindo excessos observados nas últimas semanas.

“Ativos que tiveram forte valorização recente estão passando por uma realização robusta hoje. Ouro, prata e moedas emergentes apresentam quedas significativas”, explica Weigt, que acredita que essa movimentação não sinaliza uma mudança de tendência. “Os fundamentos permanecem os mesmos. Acreditamos que investidores continuarão buscando opções fora do dólar, como ouro, bolsas de valores e moedas de países emergentes.”

Marcos Weigt ainda vê o real com potencial de valorização nos próximos meses, mesmo com o início esperado de cortes na taxa de juros em março, conforme anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que manteve a taxa Selic em 15%.

“Para que a queda nos juros reflita no real, a Selic precisaria cair para 11% ou menos, e a questão eleitoral deve ter pouca influência no mercado até abril”, diz o tesoureiro.

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu cerca de 0,70% no final da tarde, atingindo perto de 97 pontos, após atingir máxima de 97,102 pontos. No entanto, o índice fechou a semana em queda de 0,50% e acumula recuo superior a 1,30% no mês de janeiro.

Entre os indicadores econômicos, destacam-se os dados do Índice de Preços ao Produtor (PPI) e seu núcleo nos EUA em dezembro, que superaram as expectativas. Ferramentas de monitoramento indicam que o mercado aposta em cortes nos Fed Funds a partir de junho.

Em declaração publicada na rede social Truth Social, Donald Trump indicou Kevin Warsh para presidir o Fed. Warsh foi diretor da instituição entre 2006 e 2011, com atuação relevante durante a crise financeira de 2008.

Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, observa que Warsh era visto como um defensor de política monetária rigorosa durante seu mandato, mas recentemente adotou uma postura mais alinhada à de Trump, defendendo a redução dos juros.

O desafio do novo presidente do Fed será equilibrar a pressão de Trump por flexibilização monetária com a posição atual da maioria dos dirigentes do Fed, que não propõem novas quedas nos juros no momento.

Fernando Fenolio, sócio e economista-chefe da WHG, considera que a escolha de Warsh elimina um risco importante, o temor de que o Fed perca sua independência.

“A indicação de Trump pode ter sido, na prática, a melhor decisão: alguém com capacidade para atender às expectativas sem causar grande impacto nos juros de longo prazo e no dólar”, afirma Fenolio, ressaltando que Warsh tem legitimidade para conduzir o comitê de política monetária do Fed, reduzindo a possibilidade de conflitos internos.

Para Fenolio, é plausível que ocorram dois ou três cortes na taxa de juros dos EUA no segundo semestre, sem parecerem intervenções grosseiras ou politizadas pelo governo.

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