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Embaixador do Brasil no Irã alerta que derrubar o regime será difícil e sangrento

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O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, destacou que a derrubada do regime islâmico por forças militares estrangeiras seria uma missão árdua e custosa, marcada por muitos confrontos e perdas econômicas globais.

Segundo Veras, não haveria possibilidade de mudança do regime ou fim do conflito apenas por meio de ataques aéreos, ressaltando a complexidade de uma eventual intervenção terrestre devido às dimensões e características montanhosas do território iraniano, além da capacidade militar do país.

O embaixador apontou que a situação no Irã é diferente de conflitos anteriores enfrentados pelos Estados Unidos, o que torna a tarefa de derrubar o regime um desafio hercúleo e sangrento.

Ele observou que, semanas após os ataques americanos e israelenses que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e centenas de civis, serviços básicos como fornecimento de água, luz e gás continuam funcionando, refletindo a resiliência da infraestrutura local.

O comércio permanece ativo, escolas adotam aulas remotamente, mercados estão abastecidos, e a energia não foi cortada, embora o combustível esteja sendo racionado devido a limitações no refino, que já existiam antes da escalada do conflito.

Veras destacou também a rápida substituição do líder supremo por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, escolhido pela Assembleia dos Especialistas, evidenciando a estrutura legal forte e resiliência do sistema iraniano, onde a morte ou desaparecimento de um líder é seguida por um processo automático de nomeação do sucessor.

Para o embaixador, a nomeação de Seyyed Mojtaba Khamenei pode fortalecer as críticas internas ao regime, especialmente diante dos protestos contra o aumento do custo de vida e a repressão política, já que a revolução islâmica foi originalmente contra um regime hereditário, e a sucessão familiar pode ser vista como uma continuação do antigo sistema.

Ele também comentou que Seyyed possui ligações estreitas com a Guarda Revolucionária e setores conservadores dos clérigos, o que, segundo a avaliação local, representa uma resposta firme do Estado às insatisfações internas e externas.

Atualmente, não há necessidade de retirar brasileiros do Irã, pois as fronteiras terrestres seguem abertas e cerca de 200 brasileiros residem no país, principalmente mulheres casadas com iranianos. A embaixada mantém contato diário com o Itamaraty, atualizando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a situação e atendendo demandas relacionadas a documentação e vistos.

Embora a resistência do Irã aos ataques estrangeiros seja intensa, tornando a rendição improvável, Veras não descarta uma solução diplomática negociada. Ele acredita que o fim das sanções econômicas e o desejo global por paz para garantir o funcionamento da economia e das rotas comerciais mundiais podem abrir caminho para negociações.

O embaixador enfatizou que, apesar de alguns países poderem se beneficiar do controle do fornecimento de petróleo, em uma economia globalizada, todos saem perdendo com um conflito prolongado, e os custos da guerra são elevados para todos os lados.

Assim, ele acredita que o aumento dos custos pode incentivar uma condução mais racional do processo, abrindo espaço para soluções diplomáticas.

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