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Empresas de IA competem por especialistas diante de dúvidas
Mark Zuckerberg e a Meta estão investindo bilhões para reforçar sua equipe de inteligência artificial (IA), buscando liderança no setor, uma estratégia que tem gerado ceticismo.
Em junho, a empresa não hesitou em investir mais de 14 bilhões de dólares para adquirir quase metade da Scale AI, especializada em armazenar dados para modelos de IA.
De acordo com a mídia americana, o grupo da Califórnia também contatou o cofundador da OpenAI, Ilya Sutskever, além da Perplexity AI, suposta concorrente do Google, e da inovadora Runway, focada em IA para vídeos.
Sam Altman, líder da OpenAI, revelou que a Meta ofereceu bônus superiores a 100 milhões de dólares a vários funcionários da OpenAI, com salário anual semelhante.
Em memorando interno confirmado pela Meta, Mark Zuckerberg afirmou que sete colaboradores aceitaram as ofertas, assim como o diretor da Scale AI, Alexandr Wang, e membros da Anthropic e Google.
Em carta divulgada pela Wired, o chefe de pesquisa da OpenAI, Mark Chen, expressou sentimento de invasão e destacou o esforço intenso para manter sua equipe.
A iniciativa partiu do próprio Zuckerberg, preocupado com o atraso da Meta na IA generativa, apesar dos bilhões investidos.
O recente modelo Llama 4, lançado em abril, não correspondeu às expectativas, ficando atrás de concorrentes americanos, chineses e franceses em avaliações independentes, incluindo o anterior Llama 3, devido à interface de texto.
A Meta planeja integrar os novos contratados para desenvolver uma “superinteligência”, uma IA que ultrapasse a capacidade humana de entendimento e raciocínio.
Investimentos elevados
O especialista em IA, Zvi Mowshowitz, comentou à AFP que a Meta tenta atrair talentos com salários altos, embora a cultura mercenária e a falta de atração pela empresa sejam preocupantes.
Na bolsa de Wall Street, apesar da alta histórica das ações da Meta e seu valor de mercado próximo a 2 trilhões de dólares, investidores manifestam dúvidas.
Ted Mortonson, analista da Baird, destaca preocupações com a liquidez e gestão financeira da empresa, sem uma resposta clara à estratégia de Zuckerberg.
Investidores mantêm ações motivados pela visibilidade da IA da Meta, mas receiam que os gastos se tornem insustentáveis.
Em entrevista ao podcast Stratechery, Zuckerberg revelou planos de substituir agências de marketing e publicidade por soluções de IA, criando novas fontes de receita diretamente para anunciantes.
Angelo Zino, analista da CFRA, acredita que apesar dos desafios de curto prazo, a IA abrirá múltiplas oportunidades de monetização por meio da publicidade, dispositivos conectados e o Llama.
Quanto à superinteligência, que ameaçaria ou equipararia a inteligência humana, Zino prevê que ainda levará de três a cinco anos para seu desenvolvimento, enfatizando a necessidade de investimentos e recrutamento para estar preparado.


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