Economia
Empresas se preparam para nova Reforma Tributária
Com a entrada em vigor da Reforma Tributária no Brasil, organizações de variados segmentos precisam atualizar seus sistemas fiscais, contábeis e de gestão para atender às novas normas. Essa atualização é fundamental para assegurar conformidade legal, segurança nas operações e transparência na arrecadação dos tributos.
O novo modelo traz mudanças significativas na apuração e no recolhimento de impostos, demandando revisão dos processos internos, ajustes tecnológicos e capacitação das equipes. O ano de 2026 é considerado crucial nesse processo, pois marca o início da fase operacional do novo sistema, que funcionará como período de testes, com a transição completa prevista para 2033.
Em Pernambuco, a Tambaú Alimentos já iniciou 2026 com seus sistemas totalmente adaptados às exigências da Reforma. Conforme relatado pelo presidente da empresa, Hugo Gonçalves, a companhia antecipou-se ao cronograma oficial.
“Na prática, desde 8 de dezembro de 2025, tivemos o sistema completamente ajustado para que a reforma começasse no dia 1º de janeiro de 2026. Essa adaptação envolveu os setores de contabilidade, fiscal, comercial e de tecnologia da informação. Foi um grande desafio, pois não é simples lidar com mudanças dessa magnitude”, declarou.
Contabilidade
Segundo a gerente de contabilidade, Marla Souza, a antecipação foi uma escolha estratégica. “Nos motivou primeiramente o cumprimento da regulamentação da nova tributação nacional e, em segundo lugar, a necessidade de antecipar o processo para que pudéssemos dispor de tempo para eventuais correções, as quais, no nosso caso, não foram necessárias”, explicou.
Ela destacou que essa antecipação deu segurança operacional. “Além de cumprirmos todas as normativas municipais, estaduais e federais, evitamos riscos de penalidades severas, que poderiam interromper nosso faturamento, algo inviável para qualquer empresa. Também reforça nossa credibilidade termos concluído a adequação com 23 dias de antecedência ao prazo final, o que resultou em nenhuma nota fiscal eletrônica recusada, mantendo o faturamento em operação sem sofrer penalidades”, detalhou.
Para atender às novas demandas, a Tambaú investiu em cursos, treinamentos, contratação de consultoria especializada e muitas horas dedicadas ao estudo da legislação. “Esse foi provavelmente o maior investimento feito”, afirmou Marla.
Ela enfatizou ainda que a Reforma Tributária é uma transformação estrutural. “Não se trata apenas de substituição de impostos e alíquotas, mas de uma mudança cultural na forma de conduzir os negócios. A gestão financeira e fiscal da Tambaú iniciou essa transformação e seguirá até 2033, quando a reforma estará totalmente implementada. Quem ignorar essa mudança corre o risco de encerrar suas operações”, alertou.
Adequação
Para a advogada tributarista Júlia Clariane, do Pedrosa Sociedade de Advogados, a falta de adaptação dos sistemas pode gerar riscos graves. “Erros de padronização resultam em perdas de créditos, divergências entre documentos fiscais e escrituração, definição incorreta do local de tributação e formação de passivos ocultos, que muitas vezes só são descobertos anos depois, acrescidos de multas e juros”, explicou.
E destacou que o novo modelo requer alta precisão tecnológica. “Há um uso intenso de dados padronizados e cruzamentos automáticos, reduzindo a margem para correções manuais posteriores. Nesse cenário, um erro no sistema tende a se replicar em larga escala”, complementou.
Júlia acrescentou que, embora a substituição definitiva de ICMS, ISS, PIS e Cofins por IBS e CBS consolide-se apenas em 2033, 2026 já exige completa adaptação. “O ano de 2026 marca o começo da operação do novo sistema, com fatos geradores, documentos fiscais e dados alinhados ao novo modelo, que servirão como base para fiscalizações futuras”, explicou.
Testes
Ela alertou ainda para o chamado “ano de testes”. “Embora 2026 seja formalmente esse período, ele é mais um ano de testes para o Fisco do que para as empresas. A Administração Tributária irá calibrar alíquotas, testar cruzamentos eletrônicos, validar cadastros e mapear inconsistências. As empresas não estão livres de riscos nesse intervalo”, ressaltou.
Júlia recomendou que o momento seja aproveitado para revisar cadastros, ajustar sistemas de ERP, fiscal e contábil conforme a nova normativa de creditamento, além de estruturar controles internos que garantam a rastreabilidade das informações.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login