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Economia

EMS adquire Medley por US$ 3,2 bilhões e amplia liderança em genéricos

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A EMS e a empresa francesa Sanofi anunciaram na sexta-feira a conclusão de um acordo para a compra total da Medley, uma das principais marcas de medicamentos genéricos no Brasil. Atualmente, a Medley é de propriedade da Sanofi. Embora o valor oficial não tenha sido divulgado, o mercado estima a transação em cerca de R$ 3,2 bilhões (equivalente a US$ 600 milhões).

A Medley recebeu propostas de outras empresas, incluindo a indiana Sun Pharma e as brasileiras Hypera, Biolab e Aché, conforme noticiado pelo jornal Valor Econômico.

— Este foi um processo altamente competitivo envolvendo várias empresas do setor, mas conseguimos finalizar o acordo com a Sanofi para adquirir 100% das ações da Medley, uma marca muito conhecida no segmento de genéricos no Brasil e reconhecida pela sua excelente gestão — destacou Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, em entrevista sobre a negociação.

Marcus Sanchez lembrou que esta não é a primeira operação da EMS com a Sanofi, visto que em 2023 a companhia comprou a Dermacid, uma marca de sabonetes íntimos pertencente à empresa francesa, por R$ 366 milhões.

Medicamentos genéricos contêm os mesmos ingredientes ativos, na mesma dosagem e forma que os de referência, mas por lei são vendidos com um desconto mínimo de 35%. São produzidos após o término da patente do medicamento original, permitindo que outros fabricantes desenvolvam versões equivalentes.

A EMS é a líder do setor, com participação de mercado entre 23% e 24%. Com esta aquisição, incorporará mais 7% a 8%, alcançando cerca de 30% do mercado e mantendo sua posição dominante. Apesar desse crescimento, Marcus Sanchez garantiu em entrevista coletiva que não haverá concentração excessiva no mercado.

A Medley possui uma fábrica em Campinas com cerca de 900 funcionários. A EMS planeja manter essa unidade, investindo nela, e considera a possibilidade de construir uma nova planta, possivelmente em Manaus, onde já opera, aproveitando os benefícios fiscais vigentes mesmo após a reforma tributária.

Marcus Sanchez afirmou que a EMS tem interesse em todos os ativos da Medley e continuará os patrocínios da marca, que incluem parcerias com o Comitê Olímpico do Brasil até 2028, o Flamengo nos esportes olímpicos, o Sesi Vôlei Bauru, além do apoio individual às ginastas Júlia Soares e Lorrane Oliveira.

A EMS é uma empresa totalmente nacional, fundada há 62 anos a partir de uma farmácia. Seu portfólio vai de genéricos a produtos inovadores, como os injetáveis Olire (para obesidade) e Lirux (para diabetes tipo 2), ambos baseados na liraglutida. Outros lançamentos incluem o Lyberdia (gotas para TDAH) e medicamentos nanotecnológicos, refletindo alto grau de reinvestimento no grupo, segundo o vice-presidente.

A Medley também é brasileira e foi adquirida pela Sanofi em 2009 por R$ 1,5 bilhão. Marcus Sanchez avaliou que a Sanofi, uma gigante do setor farmacêutico com receita prevista de 43 bilhões de euros em 2025, emprestou credibilidade e promoveu a evolução da Medley, legado esse que a EMS pretende absorver com a aquisição. A Sanofi decidiu vender a marca por ter mudado seu foco, priorizando medicamentos biofarmacêuticos inovadores e vacinas.

— A incorporação da Medley ao nosso portfólio de marcas coloca essa empresa como prioridade para nós. Estamos falando de uma líder de mercado adquirindo outra indústria farmacêutica em um setor muito fragmentado. Nosso objetivo é democratizar o acesso à saúde, beneficiando o consumidor final, que continuará sendo o maior ganhador — afirmou Marcus Sanchez, ressaltando que a EMS já detém grande parte das moléculas estratégicas que a Medley oferece e que manterá a marca operando de forma independente dentro do grupo.

O mercado de genéricos no Brasil é bastante fragmentado, com 102 laboratórios fabricantes, com participação total de cerca de 40%. A associação PróGenéricos visa elevar este índice para 45,12%.

A Medley continuará sendo gerenciada pela Sanofi até que as aprovações regulatórias sejam concluídas. O fechamento do negócio depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e outras condições.

Carlos Sanchez, presidente do Conselho de Administração da EMS, afirmou: “A Medley é um ativo estratégico complementar às operações do grupo, sendo uma marca sólida e respeitada no mercado”.

Para Fernando Sampaio, presidente da Sanofi Brasil, o acordo reflete a estratégia da companhia de concentrar seus investimentos e expertise em medicamentos biofarmacêuticos inovadores e vacinas no país.

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