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Economia

Enel diz que só Jesus Cristo pode evitar apagões em SP por quedas de árvores

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Alvo de críticas pelo serviço de distribuição de energia em São Paulo, a Enel tem se comunicado com as autoridades para apresentar soluções diante dos apagões. O CEO da empresa italiana, Flavio Cattaneo, afirmou que a empresa tem feito tudo o possível para resolver rapidamente os problemas de falta de energia.

“Se continuarem as quedas de árvores sobre a fiação, só há um capaz de controlar a situação, e este não é humano, é Jesus Cristo, pois não há outra forma de evitar o apagão”, declarou o executivo durante evento com investidores em Milão.

Cattaneo explicou que São Paulo é a única grande cidade com rede aérea de distribuição, cujos fios passam entre as árvores. Com as mudanças climáticas, tempestades e ventos fortes são mais frequentes, o que torna difícil impedir apagões. Apesar das críticas, ele garantiu que não pretende vender a operação em São Paulo.

Ele reconheceu que a queda de árvores dificulta e atrasa os reparos para restabelecer a energia, mas ressaltou que os apagões não são problema exclusivo da Enel. O serviço de poda das árvores é responsabilidade da prefeitura de São Paulo.

O CEO mencionou que investimentos levam tempo para serem implementados, o que nem sempre coincide com as expectativas da população. Considerou ainda o contexto político, ressaltando que em períodos eleitorais, discussões sobre apagões são evitadas.

Em janeiro do ano passado, a Enel anunciou investimentos de cerca de R$ 25,3 bilhões no Brasil, sendo R$ 24 bilhões para distribuição de energia em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, fortalecendo a infraestrutura local.

Eventos climáticos recentes, como vendavais em dezembro e ventos fortes em novembro de 2023, deixaram milhões de clientes sem energia e exigiram dias para restabelecimento completo.

Cattaneo destacou melhorias na qualidade do serviço em São Paulo, com redução pela metade no tempo médio de atendimento, e reforçou sua confiança no diálogo com autoridades para encontrar soluções eficazes.

Além disso, a empresa planeja ampliar investimentos em energia renovável nos próximos anos, sobretudo na Europa e Estados Unidos, onde o ambiente regulatório é mais estável.

O grupo, controlado pelo governo italiano, anunciou que investirá 53 bilhões de euros entre 2026 e 2028, focando metade dos recursos em redes de energia e cerca de 38% em projetos renováveis.

Cerca de 9 bilhões de euros serão aplicados na América Latina, incluindo o Brasil, Colômbia e Chile, onde a Enel opera. O CEO ressaltou o compromisso com investimentos sustentáveis e retornos justos para a região.

Recentemente, o grupo também iniciou um programa de recompra de ações no valor de 1 bilhão de euros, com prazo até o final de julho.

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