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Entenda de forma simples a PEC da Segurança que será votada nesta quarta
A Câmara dos Deputados irá votar nesta quarta-feira a chamada PEC da Segurança, com uma operação legislativa que ocorre em duas fases no mesmo dia: a análise pela comissão especial pela manhã e, se aprovada, votação no plenário à tarde.
A proposta está passando por uma rodada final de negociações entre governo, relator e líderes partidários, principalmente sobre o financiamento da segurança pública e o dispositivo para referendo sobre redução da maioridade penal.
O governo busca uma solução para financiar as políticas de segurança pública com recursos gerados pela tributação das casas de apostas. Paralelamente, partidos do Centrão, especialmente MDB e PSD, pressionam o relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), para que retire do relatório a previsão de consulta popular sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
Líderes partidários avaliam que esse tema pode transformar a votação da PEC em um conflito ideológico, complicando a aprovação com o quórum qualificado necessário para uma emenda constitucional.
No entanto, o relator Mendonça afirmou recentemente que não pretende modificar o parecer.
“Não vou tirar,” disse o relator, defendendo que o referendo dará voz à população em um tema de forte apelo social.
Se essa medida for mantida, líderes consideram a possibilidade de tentar removê-la durante a votação em plenário, por meio de destaque, estratégia já usada em votações recentes.
Principais pontos da PEC da Segurança
Regime especial para organizações criminosas
Um dos principais aspectos é a criação de uma base constitucional para regras mais rígidas contra organizações criminosas como facções, milícias e grupos paramilitares. A proposta autoriza sanções mais severas para membros dessas organizações, como restrições maiores a benefícios penais, limites à progressão de regime e confisco ampliado de bens ligados ao crime. O objetivo é impedir que líderes comandem as organizações de dentro dos presídios e afetar financeiramente as redes criminosas.
Incorporação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) à Constituição
A PEC incorpora o Susp à Constituição, criando uma estrutura permanente de cooperação entre União, estados e municípios. Isso deve facilitar o compartilhamento de informações e ações conjuntas das forças policiais, diminuindo a fragmentação do sistema e aumentando a eficácia no combate ao crime organizado.
Ampliação da competência da Polícia Federal
A proposta reforça a atuação da Polícia Federal para investigar crimes que transcendam fronteiras estaduais ou tenham impacto internacional. O foco principal são as organizações criminosas que atuam em diversas regiões do país, com estruturas transnacionais para tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro. Isso permitirá uma atuação federal mais coordenada e independente das polícias estaduais.
Polícias municipais comunitárias
O relatório autoriza a criação de polícias municipais comunitárias para policiamento mais próximo da população. Essas forças deverão seguir critérios nacionais de formação e padronização, além de ficarem sob controle externo do Ministério Público. A intenção é aumentar a presença do Estado em cidades médias e grandes, fortalecendo a prevenção e a proximidade no policiamento urbano.
Reorganização do sistema prisional
A PEC estabelece diretrizes constitucionais para o sistema prisional, reforçando o papel das polícias penais na custódia e segurança dos presídios. Propõe regras mais rigorosas para disciplina, controle e gestão das unidades, buscando evitar que presídios continuem funcionando como centros de comando das facções.
Financiamento da segurança pública
A proposta institui fontes mais estáveis para financiar a segurança pública, constitucionalizando fundos como o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional, com regras de distribuição entre União e estados. O governo tenta incluir a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas para esses fundos, ampliando investimentos em policiamento, tecnologia e combate ao crime organizado.
Consulta popular sobre redução da maioridade penal
O relatório prevê uma consulta popular para avaliar a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes violentos ou graves. Esse ponto é um dos mais polêmicos e tem gerado resistência até dentro do governo e do Centrão, que temem que a discussão divida o plenário.

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