Notícias Recentes
Erika Hilton assume presidência da Comissão de Direitos das Mulheres apesar de oposição
Apesar das tentativas de alguns parlamentares contrários de impedir a posse de Erika Hilton (Psol-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a deputada foi eleita com 11 votos na sessão da tarde de quarta-feira (11).
No acordo feito na Câmara para a liderança das comissões, ficou decidido que o grupo dedicado aos direitos das mulheres seria liderado pelo Psol. Realizou-se então uma eleição de chapa única, que elegeu Hilton presidente e Laura Carneiro (PSD-RJ) como primeira vice-presidente.
A eleição aconteceu em dois turnos. No primeiro, 22 parlamentares participaram: 10 votaram na chapa e 12 votaram em branco, demonstrando oposição ao nome de Hilton.
No segundo turno, com 21 votantes, 11 apoiaram a chapa e 10 votaram em branco. A composição da chapa inclui ainda a Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) como segunda vice-presidente e Socorro Neri (PP-AC) como terceira vice-presidente.
A controvérsia em torno da eleição de Erika Hilton decorre do fato de ela ser uma mulher trans. Parlamentares contrários alegam que ela não teria vivido as mesmas experiências que mulheres cisgênero.
Em seu discurso, Hilton afirmou que, como presidente, irá focar na diversidade dentro da Câmara para enfrentar a violência patriarcal e misógina, lembrando episódios recentes de feminicídio e estupro que tiveram ampla repercussão no país.
“Espero que a diversidade dos partidos que compõem esta comissão não se preocupe com a identidade de gênero da presidente, mas sim com as questões que devemos enfrentar no Brasil.”
Hilton reforçou que o objetivo do grupo deve ser lidar com os problemas que afetam as mulheres no país, deixando de lado discussões ideológicas.
“Querer ou não, mulheres travestis e transexuais serão incluídas nesta discussão, independentemente da vontade de alguns. Se antes nossa dignidade era negada, isso acabou. Estamos aqui para permanecer e reparar uma injustiça histórica.”
Após seu discurso, Hilton assumiu a presidência da comissão e iniciou as falas das outras integrantes e deputadas da chapa vencedora.
Depois de Laura Carneiro, a deputada Clarice Tércio (PP-PE) criticou a eleição de Erika devido aos muitos votos em branco e questionou a legitimidade da nova presidente.
“Como posso ser representada por alguém que não compreende minha realidade?” questionou.
Outra crítica veio da deputada Chris Tonietto (PL-RJ): “Na condição de mulher, não me representa.”
Por outro lado, deputadas como Sâmia Bonfim (Psol-SP) e Lenir Assis (PT-PR) defenderam Erika Hilton. Lenir Assis chegou a classificar algumas falas como transfóbicas e sugeriu encaminhamentos para órgãos competentes.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login