Economia
Escândalo Master: crise financeira nos Três Poderes
Daniel Vorcaro, acusado de liderar uma das maiores fraudes bancárias do Brasil, revelou em depoimento à Polícia Federal que possui “amigos” influentes, gerando apreensão às autoridades em ano eleitoral.
O colapso do banco Master, de propriedade de Vorcaro, que deixou milhares de investidores sem pagamento, desencadeou uma investigação que aponta ligações suspeitas com a política e o judiciário.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), um governador e outras figuras importantes são alvo de questionamentos nesta investigação que domina a mídia nacional, especialmente após o próprio presidente Lula reconhecer ter contato com o empresário.
Prisões e Investigações
Vivendo no luxo, Vorcaro atuava na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, oferecendo investimentos com rendimentos superiores aos concorrentes.
Desde 2024, o Banco Central identificou que o Master não possuía fundos suficientes para honrar seus compromissos.
Em novembro de 2025, Vorcaro foi detido sob suspeita de fraude envolvendo o Master e o BRB, banco estatal de Brasília.
A liquidação do Master pelo Banco Central gerou dívidas que somam cerca de R$ 40,6 bilhões, afetando aproximadamente 800 mil investidores.
Outros executivos também foram presos, enquanto Vorcaro responde em liberdade, mas com medidas restritivas como monitoramento eletrônico.
Conexões no Judiciário
Apesar dos clientes terem seus valores assegurados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a investigação revelou possíveis vínculos políticos, especialmente perto das eleições gerais de outubro.
Por solicitação da defesa de Vorcaro, o processo foi encaminhado ao STF, onde o ministro Dias Toffoli assumiu o caso sob sigilo absoluto.
Reportagens revelaram que Toffoli viajou em um avião particular com o advogado de um executivo do Master preso, para assistir à final da Copa Libertadores 2025, em Lima, no Peru.
Além disso, o cunhado de Vorcaro, também investigado, adquiriu em 2021 parte de um resort pertencente aos irmãos de Toffoli, através de uma empresa envolvida no caso Master.
Outro ministro do STF, Alexandre de Moraes, relator do processo contra o ex-presidente Bolsonaro, teve reuniões com o presidente do Banco Central relacionadas ao Master, e o escritório de advocacia de sua esposa mantinha contrato milionário com o banco de Vorcaro. Moraes admitiu os encontros, porém negou discutir o caso.
Repercussões Políticas
Em 2024, Vorcaro foi recebido fora da agenda pelo presidente Lula no Palácio do Planalto, já com os problemas do Master conhecidos.
Lula afirmou que não haverá interferência política no caso, que será investigado rigorosamente pelo Banco Central até o fim.
O presidente alertou que quem estiver envolvido deverá arcar com as consequências, chamando o episódio de “possivelmente o maior rombo econômico já registrado no país”.
O banco também contratou em 2023 serviços jurídicos do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, que rescindiu o contrato antes de assumir o Ministério da Justiça em 2024.
O governo atribui a responsabilidade do caso à oposição, lembrando que o cunhado de Vorcaro, pastor evangélico, foi o maior doador da campanha de Bolsonaro em 2022.
Em depoimento, Vorcaro relatou ter “amigos em todos os poderes” e mencionou encontros com o governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), para tratar da operação entre Master e BRB.
Enquanto a oposição pede o impeachment de Ibaneis, as tentativas de criar uma CPI ainda não avançaram no Congresso.
Para o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV, a movimentação de diferentes grupos políticos para minimizar o caso indica a consciência do grande impacto que ele pode causar.

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