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Espanha anuncia melhorias na segurança ferroviária após dois acidentes e uma greve
Os sindicatos ferroviários e o governo espanhol firmaram um acordo nesta segunda-feira (9) para fortalecer a manutenção e a segurança dos trilhos e trens, depois de dois acidentes que causaram 47 mortes em janeiro e no início de uma paralisação de três dias, que foi suspensa.
“Este acordo é um marco histórico. Alcançamos um avanço significativo na segurança ferroviária”, afirmou à AFP um porta-voz do sindicato Semaf após reunião em Madri entre os sindicatos e o Ministério dos Transportes do governo de Pedro Sánchez.
“Este pacto é abrangente, contém 25 medidas organizadas em 10 páginas, divididas em três pontos principais: novas regras e medidas, investimento em manutenção da infraestrutura e contratação do pessoal necessário para a execução destas ações”, explicou o porta-voz.
Devido a isso, a greve que estava programada para terça e quarta-feira foi cancelada. No único dia de paralisação, foram registrados atrasos e centenas de cancelamentos, afetando milhares de passageiros que já enfrentam problemas diários na rede ferroviária, especialmente em linhas de curta distância.
Os trabalhadores destacam que o estopim para a greve foram os dois acidentes fatais ocorridos em janeiro.
“Há uma década transportávamos cerca de 10 milhões de passageiros, agora esse número está entre 22 e 23 milhões”, declarou Arturo Vega, presidente do sindicato CSIF, durante manifestação, ressaltando a necessidade de mais investimento em manutenção e inspeções.
Durante o início da greve, integrantes do sindicato CCOO distribuíram folhetos pedindo “compreensão e apoio” aos passageiros, que demonstraram sentimentos diversos entre solidariedade e frustração por enfrentarem dificuldades nesta segunda-feira.
Segundo o folheto do sindicato CCOO, “os recentes acidentes não são eventos isolados, mas sim o resultado de decisões que priorizam cortes e divisões no serviço, em detrimento da ferrovia pública, segura e bem administrada.”
“Não consegui sair”, declarou à AFP Mari Carmen González, passageira de 58 anos tentando ir de Madri para Aranjuez. “Os serviços mínimos não foram respeitados; acho isso inaceitável”, completou.
Victoria Bulgier, professora de inglês americana na casa dos trinta anos, que precisava viajar para Getafe, região ao sul de Madri, afirmou compreender perfeitamente os motivos da paralisação.
“Compreendo completamente as razões da greve. Eles não deveriam trabalhar em condições que possam colocar suas vidas em risco”, explicou Victoria Bulgier à AFP.

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