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Economia

Esquema com ‘Sicário’ prometia lucro alto e usava imóveis para lavar dinheiro

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Luiz Phillipi Machado Mourão, conhecido como “Sicário”, destacado como um dos principais alvos da operação Compliance Zero deflagrada recentemente, foi denunciado como um dos líderes de um suposto esquema de pirâmide financeira que tem conexões com fraudes financeiras envolvendo o caso Master.

Ele está preso preventivamente e, ao tentar tirar sua própria vida na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais, foi levado ao hospital.

Apontado como um dos operadores do banqueiro Daniel Vorcaro, “Sicário” foi acusado pelo Ministério Público de Minas Gerais de comandar empresas de investimento que ofereciam retornos muito acima do mercado, aplicando golpes aos clientes.

A denúncia contra Luiz Phillipi Machado Mourão foi aceita pela Justiça em dezembro de 2021 e ainda está aguardando julgamento. Ele responde por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular.

Um aspecto que chamou atenção dos investigadores foi o método de lavagem de dinheiro adotado pelo esquema. Os envolvidos simulavam a compra de imóveis em áreas rurais de Minas Gerais, firmando empréstimos no Banco Máxima, utilizando a propriedade como garantia, que era supervalorizada em mais de 3 mil por cento.

Por exemplo, a empresa Diedro Empreendimentos adquiriu um imóvel em Itamarandiba (MG) por R$ 465 mil. Logo após, emitiu uma cédula de crédito bancário de R$ 31,2 milhões, atribuindo à propriedade um valor de R$ 16,7 milhões, uma supervalorização de 3.341%. Essa movimentação servia para desviar recursos dentro do esquema.

Documentos da Junta Comercial de São Paulo indicam que a Diedro Participações já teve como sócia a Giom Participações, pertencente a empresário Natália Vorcaro, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro.

Esse modo de operar é semelhante às fraudes financeiras ligadas a Daniel Vorcaro no caso Master, que envolviam movimentações financeiras por meio da supervalorização de ativos ou títulos defeituosos usados como garantia para concessão de empréstimos bilionários.

A investigação do Ministério Público mineiro iniciou a partir de denúncia da Comissão de Valores Mobiliários envolvendo a empresa Alcateia Investimentos, que posteriormente vendeu sua carteira para Maximus Digital, empresa que conta com Mourão e familiares como sócios.

Anúncios nas redes sociais prometiam retornos superiores a 987% ao ano via Alcateia Investimentos, que estruturava os clientes em categorias como “lobo alfa” e “lobo pai”, incentivando cada investidor a trazer familiares e amigos para criar sua “matilha”, caracterizando a pirâmide.

De acordo com denúncia da promotora Janaina de Andrade Dauro, esta organização criminosa causou prejuízo financeiro significativo para a população brasileira. Movimentações financeiras de Mourão chegaram a R$ 24,9 milhões em três anos, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

A defesa de “Sicário” não se manifestou. Antes da tentativa de suicídio, ele optou por permanecer em silêncio perante a Polícia Federal.

Coordenação e Ações

As investigações indicam que Mourão coordenava um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, utilizado para organizar vigilância, coleta de informações e intimidação de opositores de Daniel Vorcaro.

Além disso, é suspeito de realizar acessos irregulares a sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo o uso de credenciais de terceiros, obtendo dados até mesmo de instituições como Polícia Federal, Ministério Público Federal, FBI e Interpol.

Em comunicado oficial, Vorcaro afirmou que nunca teve intenção de intimidar jornalistas e que suas mensagens foram mal interpretadas.

Ele continua colaborando com as autoridades e confia que uma análise completa das informações esclarecerá qualquer mal-entendido que tenha sido divulgado.

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