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EUA iniciam julgamento contra redes sociais por dependência infantil
O tribunal civil de Los Angeles iniciou nesta segunda-feira (9) um processo contra a Alphabet e a Meta, empresas responsáveis por algumas das redes sociais mais populares, acusadas de projetar suas plataformas para tornar crianças dependentes.
Esse julgamento pode marcar um precedente importante na responsabilização legal das redes sociais, que até agora têm sido protegidas.
Entre as testemunhas previstas estão Mark Zuckerberg, CEO da Meta, que deporá em 18 de fevereiro, e Adam Mosseri, responsável pelo Instagram, que testemunhará a partir de quarta-feira. Também espera-se a participação de Neil Mohan, diretor do YouTube, cuja controladora é a Alphabet.
O caso atrai muita atenção por poder influenciar processos semelhantes no país, que alegam que as redes sociais criam dependência, causando problemas como depressão, transtornos alimentares, hospitalizações psiquiátricas e até suicídios.
A Alphabet e a Meta enfrentam uma série de ações similares na justiça. Os advogados das vítimas estão adotando uma abordagem semelhante à que foi usada contra a indústria do tabaco nas décadas de 1990 e 2000, que foi condenada por comercializar produtos nocivos.
A defesa tentou impedir a comparação das redes sociais com produtos viciantes, mas sem sucesso.
O caso principal é baseado na experiência de uma mulher de 20 anos, identificada pelas iniciais K. G. M., que sofreu danos mentais devido à dependência das redes sociais desenvolvida desde a infância.
Matthew Bergman, fundador do Social Media Victims Law Center, que coordena mais de 1.000 desses casos, declarou à AFP que esta é a primeira vez que uma empresa de redes sociais enfrenta um júri por danos causados a menores.
As empresas de tecnologia se apoiam na Lei de Decência nas Comunicações dos EUA para se protegerem de responsabilidade pelo conteúdo postado por usuários.
Porém, a acusação argumenta que são culpadas por sustentar um modelo de negócios que utiliza algoritmos projetados para captar a atenção do público com conteúdos que podem prejudicar a saúde mental dos usuários.

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