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EUA investigam presidente da Colômbia por suposto envolvimento com tráfico de drogas

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Promotores federais em Nova York estão conduzindo uma investigação sobre o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, por possíveis conexões com traficantes de drogas, conforme informações obtidas pela agência de notícias Associated Press. As fontes que contribuíram para a reportagem não estavam autorizadas a comentar o caso e preferiram permanecer anônimas.

Nas últimas semanas, os promotores do Brooklyn e de Manhattan vêm questionando traficantes detidos sobre eventuais ligações com Petro e sobre denúncias de que membros próximos ao presidente teriam solicitado propinas para impedir extradições para os Estados Unidos, conforme indicado por uma das fontes.

Até o momento, não há confirmação oficial de que Petro tenha sido formalmente acusado de qualquer crime.

A investigação abarca, pelo menos em parte, acusações de que representantes de Petro teriam pedido subornos a prisioneiros ligados ao tráfico na penitenciária colombiana La Picota, com a promessa de evitar sua extradição para os EUA, afirmou uma fonte próxima ao caso.

Um porta-voz do governo colombiano preferiu não comentar sobre as investigações ou possíveis repercussões legais.

Petro nega repetidamente qualquer envolvimento com o tráfico de drogas, principalmente após acusações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que o rotulou de “líder do tráfico ilegal”. Além disso, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções contra ele no final de 2025, sem apresentar evidências. O presidente colombiano destaca que, embora combata grandes cartéis, sua administração adota uma política mais suave e social em relação aos agricultores que cultivam folha de coca.

Essa investigação federal foi divulgada na manhã desta sexta-feira (20) pelo jornal The New York Times.

Petro passou a ser investigado dentro de inquéritos sobre tráfico liderados por autoridades em Nova York, que o identificaram como suspeito, conforme outra fonte.

As apurações ainda estão em fases iniciais, sem garantir que resultarão em acusações formais, segundo informações de um interlocutor que acrescentou que a Casa Branca não está envolvida nas investigações.

Ex-líder rebelde, Petro assumiu a presidência com promessas de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e destinar recursos para combater a pobreza.

Conhecido por discursos às vezes complexos e pouco claros, o político de esquerda tem criticado frequentemente o governo Trump por seu apoio a Israel, pelos bombardeios contra embarcações de tráfico no Caribe e comparou a política americana de imigração a táticas “nazistas”.

Após uma dessas críticas, durante uma manifestação pró-palestina em frente à sede da ONU, em Nova York, Trump revogou o visto de Petro para os EUA. Ele também impôs temporariamente tarifas elevadas à Colômbia depois que o presidente colombiano rejeitou voos de deportação originários dos EUA.

Mais recentemente, entretanto, ambos deram sinais de aproximação. Após um encontro na Casa Branca, em fevereiro, Trump descreveu Petro como “fantástico”.

Autoridades colombianas também investigam há anos membros da família do presidente por possíveis condutas ilícitas.

Seu filho, Nicolás Petro, foi acusado em 2023 de solicitar doações ilegais para campanha a um traficante condenado, a fim de manter um estilo de vida luxuoso, com carros e imóveis caros. Ele declarou-se inocente, e o presidente garante que não houve uso de recursos ilegais em sua campanha.

O irmão de Petro, Juan Fernando Petro, também foi mencionado em supostas negociações secretas com traficantes presos para evitar extradições mediante desarmamento.

A política colombiana tem sido historicamente marcada pela influência da cocaína, sendo o país o maior produtor mundial dessa droga. Na década de 1980, o traficante Pablo Escobar foi eleito para o Congresso com apoio de um dos partidos tradicionais da Colômbia. Na década seguinte, rivais do cartel de Cali financiaram ilegalmente a campanha presidencial de Ernesto Samper.

O grupo guerrilheiro Movimento 19 de Abril, do qual Petro fez parte e que hoje não existe, é suspeito de ter recebido fundos dos cartéis de Medellín, liderados por Escobar, como parte de um ataque à Corte Suprema em 1985. Embora não tenha participado do ataque que matou guerrilheiros e magistrados, os líderes do grupo sempre negaram qualquer ligação com o cartel.

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