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EUA pressiona Cuba; eletricidade volta após apagão

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Os Estados Unidos intensificaram a pressão na última terça-feira (17) sobre o governo cubano para permitir reformas econômicas com maior liberdade de mercado. Mesmo assim, a empobrecida ilha conseguiu restaurar sua rede de energia após um enorme apagão que afetou o país inteiro.

Cuba reconheceu que está em conversações com Washington e anunciou algumas medidas na segunda-feira, como a autorização para que cubanos no exterior invistam em setores como bancos, agricultura e infraestrutura. No entanto, o secretário de Estado Marco Rubio considerou que essas medidas “não são suficientemente radicais”.

“Isso não resolverá os problemas”, afirmou Rubio durante entrevista na Casa Branca ao acompanhar o presidente Donald Trump na recepção ao primeiro-ministro irlandês, Michael Martin.

O Departamento de Estado dos EUA observou que o povo cubano deseja acesso a serviços essenciais, condições para viver e liberdade diante da tirania, e que o regime deve respeitar os direitos básicos. Em resposta, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, escreveu no X que os EUA mantêm uma guerra econômica contra Cuba, negando acesso a financiamentos e tecnologia, enquanto acusam o país de má administração.

Além disso, De Cossío afirmou que os EUA usam essa desculpa para ameaçar intervenção militar e tentar controlar a ilha.

Na capital dos EUA, a vice-chefe da missão cubana, Tanieris Diéguez, declarou à AFP que ambos os países têm vários pontos a negociar, mas que não devem exigir mudanças no sistema político cubano. “Nada relacionado ao nosso sistema político faz parte das negociações”, enfatizou.

Na segunda-feira, Trump expressou o desejo de “tomar Cuba” e indicou que medidas seriam anunciadas em breve, em parceria com Marco Rubio.

Restauração da eletricidade em meio à crise

Enquanto enfrentava pressão externa, o governo cubano conseguiu restabelecer o fornecimento de eletricidade após um apagão nacional que teve início ao meio-dia de segunda-feira, resultado de uma grave crise energética.

A empresa estatal de energia (UNE) anunciou no X que o Sistema Eletroenergético Nacional voltou a operar, restabelecendo os serviços básicos para a população. Contudo, apagões programados continuam devido à falta de capacidade geradora.

Rolando, um pedreiro de 55 anos, descreveu à AFP a vida na ilha: “Se normalmente temos apenas quatro ou cinco horas de luz diárias, isso limita muito a vida”.

A geração de energia em Cuba depende de um sistema de oito usinas termelétricas antigas, algumas com mais de 40 anos, que frequentemente apresentam falhas ou precisam ser desligadas para manutenção.

Com quase 10 milhões de habitantes, Cuba sofreu seis apagões gerais em pouco mais de um ano. Em março, uma parte significativa do país já estava sujeita a cortes parciais.

A economia da ilha está quase parada desde que Washington interrompeu o envio de petróleo da Venezuela, seu principal fornecedor, após a queda do governo Maduro. Além disso, a Casa Branca ameaçou punir países que vendam combustível a Cuba.

O presidente Miguel Díaz-Canel adotou medidas rigorosas de economia, incluindo a suspensão das vendas de diesel, o racionamento de gasolina e a redução de alguns serviços hospitalares.

Além dos desafios energéticos e políticos, os cubanos enfrentaram um terremoto de magnitude 5,8 na costa na terça-feira de manhã, que não causou vítimas nem danos.

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