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Eua recuam em acusar Maduro de chefiar possivel Cartel de Los Soles
O Departamento de Justiça dos EUA desistiu de acusar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de liderar o suposto Cartel de Los Soles. A denúncia atual contra Maduro, apresentada após sua captura pelos EUA, não contém a acusação de liderança do cartel presente na denúncia anterior de 2020.
Na denúncia inicial, o termo “Cartel de Los Soles” era mencionado 33 vezes, e Maduro era apontado como líder da organização.
Segundo o documento original, “Nicolás Maduro Moros, o acusado, ajudou a administrar e eventualmente liderar o Cartel de Los Soles à medida que consolidava seu poder na Venezuela”.
A nova denúncia desta semana menciona o Cartel apenas duas vezes, de forma marginal e sem atribuir liderança a Maduro. Em vez disso, afirma que Maduro e o ex-presidente Chávez mantêm uma cultura de corrupção, onde elites venezuelanas lucram com tráfico de drogas e protegem traficantes.
O documento continua afirmando que os ganhos desse esquema beneficiam funcionários corruptos que operam em um sistema controlado por altos oficiais militares, simbolizados pelo Cartel de Los Soles, nome derivado do símbolo do sol nos uniformes.
A alteração na acusação chamou atenção, já que o cartel havia sido declarado grupo terrorista pelo governo Trump, justificando a invasão da Venezuela.
Especialistas do mercado de drogas rejeitam classificar a Venezuela como narcoestado ou reconhecer o Cartel como uma organização formal. Nenhum relatório da ONU ou da DEA menciona essa entidade.
A consultora da União Europeia para políticas sobre drogas, advogada Gabriela de Luca, acredita que o Departamento de Justiça reconhece a dificuldade de provar a existência do cartel, evitando tratá-lo como uma organização real.
Gabriela de Luca explica que a nova abordagem enquadra Maduro como parte de um sistema corrupto ao invés de líder de uma entidade formal, fortalecendo as acusações com base em provas individuais de narcotráfico, corrupção e associação criminosa.
Ela também alerta que o uso indiscriminado do termo cartel pode justificar medidas amplas que prejudicariam a população venezuelana.
Mesmo com a mudança, Maduro continua sendo acusado de diversos crimes relacionados ao narcotráfico, incluindo parcerias com grupos guerrilheiros colombianos e cartéis mexicanos.
Em depoimento nos EUA, Maduro se declarou inocente e prisioneiro de guerra, após suposta captura por militares estadunidenses.
O governo de Caracas acusa Washington de fabricar as acusações para justificar intervenção visando controlar as maiores reservas de petróleo do mundo.
O ex-presidente Trump tem pressionado o governo interino da Venezuela para garantir acesso aos campos petrolíferos.
Em reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, afirmou que o petróleo da Venezuela não pode ficar sob controle de inimigos no Hemisfério Ocidental.
“Esta é nossa vizinhança, nosso espaço. Não permitiremos que a Venezuela se torne um centro para operações de Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas que dominam o país. Não podemos aceitar que a maior reserva petrolífera esteja nas mãos de adversários na região”, disse o diplomata.

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