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Europa reage ao pedido de Trump para proteger Ormuz
Presidentes e líderes europeus responderam ao chamado do presidente Donald Trump para a criação de uma aliança internacional destinada a assegurar a segurança do Estreito de Ormuz, ponto crucial para o transporte global de petróleo e atualmente bloqueado pelo Irã.
No último sábado (14), Trump declarou sua intenção de envolver países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido na proteção dessa passagem estratégica.
“É natural que aqueles que utilizam essa rota contribuam para garantir que ela permaneça segura”, afirmou Trump ao Financial Times. Ele alertou que a falta de colaboração ou a recusa do pedido poderia prejudicar o futuro da OTAN, chegando a ameaçar o adiamento de um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, caso Pequim não apoie a reabertura do estreito.
O Reino Unido informou estar trabalhando com parceiros em um plano para restabelecer o trânsito, porém ressaltou que não será arrastado para um conflito mais amplo, segundo palavras do primeiro-ministro Keir Starmer. O governo britânico busca uma estratégia conjunta eficaz, e a operação não deve ser liderada pela OTAN. Londres considera, por exemplo, o uso de drones para detectar minas na área, o que poderia evitar o envio de navios de guerra.
Em diálogo telefônico com Starmer no domingo (15), Trump reiterou a importância de reabrir o estreito de Ormuz, conforme comunicado oficial de Downing Street.
A Alemanha também descartou a possibilidade de mobilizar a OTAN. O porta-voz oficial, Stefan Kornelius, explicou que o conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã não está relacionado à aliança atlântica, que tem como missão principal a defesa dos territórios dos seus membros. Portanto, conforme ele, não há base para ativar a OTAN neste contexto.
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, declarou que o país não irá participar militarmente, embora possa atuar diplomaticamente para garantir a segurança do tráfego no Estreito de Ormuz. “Este conflito iniciou-se sem consulta prévia”, afirmou ele.
Na Itália, o chanceler Antonio Tajani expressou apoio à intensificação das operações navais da União Europeia no Mar Vermelho, mas avaliou pouco provável a extensão dessas missões para o Estreito de Ormuz, que são focadas em combate à pirataria e defesa.
Em Bruxelas, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que o bloco discute ações para manter a passagem aberta, embora vários ministros prefiram aguardar antes de alterar o mandato da missão naval Aspides.
“Nosso interesse é manter o Estreito de Ormuz livre e por isso avaliamos as possibilidades do lado europeu”, declarou Kallas antes da reunião em Bruxelas na última segunda-feira (16).
Outros países também demonstram cautela. O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, comunicou ao Parlamento que o país não planeja autorizar uma missão semelhante dada a atual situação no Irã.
A primeira-ministra Sanae Takaichi destacou não ter recebido um pedido oficial de Trump e lembrou que o envio de tropas é um tema delicado tanto política quanto juridicamente, no contexto da Constituição japonesa que rejeita conflitos armados.
“A questão é o que o Japão pode fazer por iniciativa própria e dentro das leis locais, mais do que atender a solicitações externas”, explicou ao parlamento. “Estamos avaliando diferentes perspectivas em vários ministérios”, concluiu.

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