Economia
Evento discute inovação no setor de cana-de-açúcar no Nordeste
Executivos, produtores, técnicos e especialistas da indústria sucroenergética do Nordeste se reuniram nesta quinta-feira (19) em Recife para o Congresso de Usinas de Alta Performance do Norte-Nordeste (UAPNE), organizado pela Pró-Usinas JornalCana. Entre os participantes estava Eduardo de Queiroz Monteiro, presidente do Grupo EQM e fundador da Folha de Pernambuco.
O encontro, realizado na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), na Imbiribeira, Zona Sul do Recife, teve como objetivo debater, através de painéis e casos de sucesso, os desafios, avanços tecnológicos e perspectivas para a bioenergia na região Nordeste, que é estratégica para a transição energética.
Destaques dos painéis
Um dos principais temas abordados foi a mecanização da colheita da cana inteira, apresentada por Heleno de Barros, diretor agrícola do Grupo EQM. Ele explicou que essa prática busca reduzir impactos ambientais, como queimadas, porém enfrenta desafios em termos de adaptação tecnológica, altos custos e efeitos sociais, especialmente sobre empregos.
“Estamos vivendo uma crise na oferta de mão de obra. Buscamos soluções para o corte da cana em áreas de encosta em Pernambuco, uma limitação para o crescimento regional. Essas máquinas estão sendo desenvolvidas pelos grupos de trabalho das empresas,” disse Barros.
Segundo ele, o avanço da produção de cana-de-açúcar está ligado diretamente ao desenvolvimento desses equipamentos. Durante a apresentação, foram mostradas máquinas com alta tecnologia utilizadas nas usinas do grupo.
Conforme dados da NovaBio, a moagem estimada para a safra 2025/26 no Nordeste deve atingir cerca de 59 milhões de toneladas de cana. Entretanto, a produção regional está se reorganizando: houve diminuição de 10,8% na produção de açúcar, enquanto o etanol cresceu 12,7%, impulsionado principalmente pelo etanol anidro.
Outros painéis e perspectivas
O painel de abertura foi apresentado por Hugo Cavalcanti, superintendente agrícola do Grupo JB, abordando excelência agrícola e os desafios na mecanização da colheita. Ele destacou que o setor precisa investir para superar problemas estruturais como adequação de lotes, plantio mecanizado, preparação do solo, colhedoras específicas, variedades de cana e espaçamento.
“Em momentos de crise, tentamos cortes que parecem econômicos, mas na verdade precisamos investir para virar o jogo. O Nordeste é pioneiro e região com tradição na cana, que continuará forte,” afirmou Cavalcanti.
Diversos estudos de caso foram apresentados, incluindo iniciativas da Usina Santo Antônio com inteligência artificial na logística e operações agrícolas, da Agrovale com inovações na produção de etanol, da Usina Coruripe na cogeração e da Usina São José do Pinheiro em gestão para alta eficiência industrial.
Outros temas relevantes foram abordados em painéis sobre biotecnologia nas biorrefinarias, indústria 4.0 com tecnologia NIR, inteligência artificial na manutenção, otimização e gestão operacional, gestão robusta em fábricas de açúcar e eficiência energética com antincrustantes inovadores.
A programação da tarde incluiu painéis focados no futuro do setor e nos desafios institucionais e estruturais da bioenergia no Nordeste, com a participação de representantes de usinas e entidades do setor.
Este encontro reafirma o compromisso do Nordeste com o desenvolvimento tecnológico e sustentável do setor sucroenergético, preparando o caminho para a inovação e aumento da competitividade na região.

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