Economia
Ex-escrivão da Polícia Federal preso em operação ligada a Vorcaro recebe aposentadoria de quase 22 mil reais
Marilson Roseno da Silva, 56 anos, identificado como membro do grupo conhecido como “A Turma” associado ao banqueiro Daniel Vorcaro, foi detido durante a terceira etapa da Operação Compliance Zero, realizada na quarta-feira (4) em Belo Horizonte (MG). Como policial federal aposentado, Marilson possui uma aposentadoria mensal de R$ 21,9 mil desde 2022. Antes de se aposentar, ele ocupava o cargo de escrivão na Polícia Federal.
Na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão, Marilson é descrito como um membro importante da estrutura paralela envolvida em monitoramento e intimidação, vinculada ao grupo liderado por Daniel Vorcaro.
As investigações da Polícia Federal revelam que Marilson integrava um grupo clandestino que buscava obter informações sigilosas sobre investigações relacionadas ao Banco Master, além de monitorar pessoas consideradas inimigas da organização criminosa. Utilizando sua experiência e contatos na Polícia Federal, ele auxiliava na coleta de dados sensíveis e na realização de vigilância sobre alvos determinados pelo grupo. Ele também era responsável por antecipar ações da investigação e por cercear a atuação de jornalistas cobrindo o caso, incluindo o colunista Lauro Jardim, do GLOBO.
Segundo o portal da transparência do Governo Federal, Marilson assumiu a função de escrivão em 2008 após ser aprovado em concurso público. Sua aposentadoria foi autorizada em 10 de agosto de 2022, atendendo a um pedido seu. Em fevereiro, ele recebeu líquido por aposentadoria o valor de R$ 15.870,13.
Na decisão desta quarta, André Mendonça destacou evidências de que Marilson desempenhava um papel logístico na execução das atividades de monitoramento, ajudando a identificar pessoas ligadas ao grupo e participando de diligências informais para obtenção de dados pessoais, localização e informações estratégicas sob a liderança de Luiz Phillipi Machado Mourão, que também foi preso na operação.
Luiz Phillipi Machado Mourão, 43 anos, conhecido como Sicário, enfrenta ações judiciais desde 2021 por suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a economia popular em Minas Gerais. Ele era envolvido em um esquema de pirâmide financeira que movimentou cerca de R$ 28 milhões entre 2018 e 2021. Antes, exerceu a função de agiota e, segundo análise de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais, tinha um papel de liderança na organização criminosa investigada.

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