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Exército sírio toma áreas que estavam com curdos durante trégua

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O Exército sírio foi enviado, nesta segunda-feira (19), para regiões que antes estavam sob controle dos curdos, depois de um acordo anunciado no dia anterior que, segundo especialistas, enfraquece os planos dessa minoria de manter uma autonomia de fato.

O governo interino da Síria, liderado por Ahmed al Sharaa, busca reforçar sua autoridade em todo o território após a saída de Bashar al Assad no final de 2024.

Sharaa conversou nesta segunda com seu homólogo americano, Donald Trump, sobre a situação dos curdos na Síria, informou seu gabinete.

Na conversa telefônica, “ambos destacaram a importância de garantir os direitos e a segurança do povo curdo dentro do Estado sírio”, conforme comunicado da Presidência, que acrescenta que os líderes “reafirmaram a necessidade de preservar a unidade e independência do território sírio”.

Confrontos entre as forças do governo sírio e as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas pelos curdos, começaram na noite desta segunda, um dia após ambos terem aceitado um cessar-fogo, informou uma organização não governamental.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) relatou combates perto da prisão de Al Aqtan, nos arredores de Raqqa, no norte do país, e informou que o governo também bombardeou uma posição militar das FDS ao norte da cidade.

Um correspondente da AFP em Raqqa presenciou intensos bombardeios.

Uma fonte curda, falando anonimamente, disse que nesta segunda houve negociações diretas entre o presidente sírio, Ahmed al Sharaa, e o líder das FDS, Mazloum Abdi, mas as conversas não foram produtivas.

Abdi afirmou no domingo (18) que aceitou um acordo com Damasco para prevenir uma guerra maior.

O pacto foi anunciado após os recentes avanços das tropas sírias em áreas sob controle curdo no norte e leste do país. As tropas também expulsaram os curdos da cidade de Aleppo no começo de janeiro.

O acordo, que contém 14 pontos, foi concluído após meses de difíceis negociações e prevê a integração das forças e instituições curdas ao Estado sírio, além da entrega imediata das províncias curdas de Deir Ezzor e Raqqa ao governo.

As FDS previamente tinham um acordo de integração com Damasco desde março, mas enfrentaram muitos obstáculos para implementá-lo.

Com apoio dos Estados Unidos, combateram e derrotaram o grupo Estado Islâmico (EI) na região.

Apesar do cessar-fogo, três soldados do governo morreram nesta segunda em confrontos com as forças curdas, que acusaram os soldados de iniciá-los.

Busca por estabilidade

Especialistas acreditam que o acordo é um golpe para os esforços da minoria curda em manter autonomia em grandes áreas do norte e nordeste da Síria.

Na província de Deir Ezzor, um correspondente da AFP observou dezenas de veículos militares indo para o leste do rio Eufrates, enquanto caminhões e pedestres esperavam numa pequena ponte.

Mohammed Khalil, motorista de 50 anos, disse estar satisfeito com a chegada das forças do governo. “Esperamos que as coisas melhorem. Não havia liberdade” sob o comando das FDS, explicou.

Safia Keddo, professora de 49 anos, disse: “Queremos que as crianças possam ir à escola sem medo, que a eletricidade, água e pão voltem a ser fornecidos. Não pedimos milagres, apenas estabilidade e uma vida normal.”

O Exército informou que “começou o deslocamento” no norte e leste da Síria “para garantir a área conforme o acordo”.

O acordo também determina que Damasco se responsabilize pelos prisioneiros do grupo jihadista Estado Islâmico e suas famílias, que estão em prisões e campos administrados pelos curdos.

Um correspondente da AFP em Raqqa relatou que as forças de segurança se posicionaram na praça central, enquanto um comboio militar passou pela cidade com disparos ocasionais ouvidos. Raqqa foi o antigo centro do Estado Islâmico na região.

Incertezas

As FDS retiraram-se no domingo das áreas em Deir Ezzor, incluindo os campos petrolíferos de Al Omar, o maior do país, e Al Tanak.

Al Omar estava controlado pelos curdos desde que expulsaram o Estado Islâmico em 2017. Há anos, era a maior base da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra o jihadismo.

Mutlu Civiroglu, analista especializado em assuntos curdos com base em Washington, afirmou que “os conflitos de Sharaa com as forças curdas, depois das pressões anteriores nas regiões alauitas e drusas, aumentam as dúvidas sobre a legitimidade do governo provisório e sua habilidade de representar a população diversa da Síria”.

No ano passado, ocorreram episódios de violência sectária na área costeira dos alauitas e na província de Sueida, de maioria drusa, no sul do país.

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