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Extorsão no Peru continua apesar do governo atual, alerta procurador

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A extorsão no Peru não deve acabar com a administração do presidente José Jerí, segundo alerta o chefe das Procuradorias Especializadas contra o Crime Organizado, em entrevista concedida à AFP.

José Jerí está no poder desde outubro, após a destituição de Dina Boluarte, que foi removida justamente por conta desse problema. O ex-presidente do Parlamento tenta agora restaurar a ordem em um país onde há grande desconfiança nas instituições.

Entretanto, combater a extorsão, que envolve ameaças e assassinatos por encomenda, exige o fortalecimento do sistema judicial, polícia, inteligência, Ministério Público e Poder Judiciário, ressalta o procurador Jorge Chávez, em seu escritório no centro de Lima.

Ele enfatiza que, sem esses reforços, muitas leis aprovadas não surtirão efeito prático.

Diferentemente de sua predecessora, Jerí iniciou seu mandato comandando operações policiais para prender criminosos e transferir presos, que são apresentados uniformizados e algemados, uma imagem associada às políticas do presidente salvadorenho Nayib Bukele.

Além disso, declarou estado de exceção na capital e no porto de Callao, possibilitando o uso de militares nas ruas. “O principal inimigo nas ruas são as gangues criminosas (…) devemos declarar guerra a elas”, afirmou ao assumir o cargo.

Durante muito tempo, o Peru foi visto como menos afetado pelo crime organizado em comparação a seus vizinhos. Agora, enfrenta problemas semelhantes aos do Equador, com o número de denúncias de extorsão aumentando mais de dez vezes em dois anos, chegando a mais de 25 mil em 2025.

Esse crescimento foi impulsionado pelo descaso dos governos anteriores, que consideravam essas atividades como crimes passageiro, segundo o procurador Chávez, que está na linha de frente no combate ao crime organizado.

Jerí é o sétimo presidente do Peru desde 2016, uma instabilidade que tem dificultado a implementação de políticas de longo prazo. Segundo o procurador, faltou liderança, estratégia e orçamento durante anos.

O mandato de Jerí vai até julho, e ele não poderá se candidatar nas próximas eleições gerais por força de lei.

Em 2025, mais de 60 organizações criminosas foram desmontadas e ocorreram mais de 400 condenações, porém, esses resultados são insuficientes diante da gravidade do problema.

O setor de transporte é o mais prejudicado, com mais de 50 motoristas assassinados em 2025, conforme o sindicato Anitra. No início de 2026, pistoleiros mataram um condutor, causando uma greve de protesto.

Outros setores afetados incluem comerciantes, escolas e grupos musicais de cumbia, um gênero popular no país.

A extorsão não é uma novidade, lembra Chávez. Começou a surgir em 2010 no norte do Peru, em cidades como Chiclayo e Trujillo, mas não tinha o nível de violência atual.

Entre as causas do agravamento está o surgimento de gangues estrangeiras, como a organização Tren de Aragua, após a pandemia.

“Antes, a ameaça era suficiente. Hoje, há assassinatos e queima de vítimas…, a extorsão se transformou em um instrumento de terror”, conclui o procurador.

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