Centro-Oeste
Faixa de pedestre: orgulho dos brasilienses e referência para o Brasil

O respeito à sinalização começou em 1º de abril de 1997 e, um ano depois, reduziu o número de mortes por atropelamento em 24%. Mas, mesmo após quase três décadas, ainda há acidentes devido à desatenção e à imprudência
Por Luiz Fellipe Alves e Caio Ramos – Correio Braziliense
Há 28 anos, o respeito à faixa de pedestres começou a ser plantado no Distrito Federal. A lei idealizada pelo coronel Renato Azevedo teve um impacto significativo na segurança dos pedestres e se tornou referência nacional. Em 1996, ano anterior à Campanha Paz no Trânsito, protagonizada pelo Correio, foram registradas 266 mortes por atropelamento na capital. Um ano depois, esse número caiu 24%. A faixa de pedestre é tão importante para os brasilienses que foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do DF pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do DF (CONDEPAC-DF).
- 28 anos de respeito à vida: como Brasília virou referência para o Brasil
- Faixa de pedestre será Patrimônio Cultural Imaterial do DF
David Duarte Lima, presidente do Instituto de Segurança no Trânsito (IST), era coordenador do fórum Paz no Trânsito em 1996, quando as discussões sobre a implementação das faixas de pedestre começaram. O fórum contou com a mobilização popular e do Correio para pedir mais segurança no trânsito. “Eu me lembro que na reunião havia mais de 100 pessoas na Universidade de Brasília para lutar por esse direito”, contou.
Mariley Souza, de 43 anos, chegou a Brasília com 15 anos e viu a instalação das primeiras faixas de pedestre na capital. “No começo, todo mundo respeitava a faixa, até por conta da fiscalização, que era grande. Hoje em dia, vejo que isso reduziu um pouco”, afirmou. Ela comentou que, mesmo com a falta de atenção dos motoristas, o respeito à faixa no DF é referência para o Brasil. “Em outros estados, pensei que era só fazer como em Brasília e dar o sinal de vida para os veículos pararem”, relatou.
A gerente administrativa Marlene Bonina, 52, concorda com Mariley. “Em outros estados, os motoristas não são tão educados como os de Brasília. Há essa dificuldade de aderir à parada na faixa de pedestre”, confirmou.
Segundo o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), de janeiro a 31 de março do ano passado, foram registrados 895 atropelamentos no DF. No mesmo período de 2025, houve uma redução de 13,97%, sendo registrado apenas um atropelamento na faixa de pedestres. Neste ano, o órgão já autuou cerca de 1.759 motoristas que desrespeitaram o direito de preferência do pedestre. Desrespeitar o artigo 214 do Código de Trânsito Brasileiro é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na carteira de motorista.
Usando uma fantasia de faixa de pedestre, o subtenente Barreiros, conhecido como Totó, foi escalado para mais uma campanha de conscientização sobre a importância da sinalização. Ele estava no serviço de rua quando a lei foi promulgada e relembrou esse início. “Os batalhões passaram quatro meses alertando os motoristas de que, em 1º de abril, iria começar a valer a nova regra. Houve algumas colisões traseiras no início, mas a adaptação foi bem rápida”, disse.
O subtenente acredita que essa conscientização foi conquistada no dia a dia, com campanhas em vários locais para aumentar a segurança. Isso foi muito importante para a preservação da vida dos pedestres”, completou.
Falta de atenção
Mesmo após quase três décadas da implementação das faixas de pedestre, ainda há acidentes devido à desatenção e à imprudência. A ciclista Júlia de Alencar, 25, afirmou que já teve o seu direito desrespeitado, inclusive, sendo atropelada. “A faixa de pedestre é de extrema importância para a segurança no trânsito. Infelizmente, ainda é muito desrespeitada. Há quatro anos, fui atropelada em uma faixa. A iluminação da via estava ruim e o motorista não me viu”, contou.
Passado o susto, Julia ressaltou que as faixas precisam de mais atenção. “É importante mantê-las visíveis e bem pintadas. A iluminação para os pedestres que andam à noite também deve ser reforçada, porque, às vezes, temos que dar o sinal de vida várias vezes até sermos vistos”, explicou.
David Duarte, presidente do ITS, acredita que são necessários estudos para melhorar as condições de tráfego de pedestres nas faixas. “É preciso avaliar onde tem mais atropelamentos e realizar manutenções. Em vias com velocidade superior a 60 km por hora, como a L4 Norte, o pedestre fica vulnerável na faixa de pedestre, principalmente à noite”, explica.
O vendedor de roupas Edison Luis, 69, comemora a implementação da sinalização. “Fiquei muito feliz quando colocaram as faixas, pois sabia que iriam melhorar a segurança.” Como motorista, ele pede um pouco de atenção aos pedestres. “Esses dias, estava dirigindo e uma pessoa entrou do nada na faixa, sem dar sinal. Parei o carro bruscamente e bateram na minha traseira. É importante esperar os carros pararem para atravessar.”

Você precisa estar logado para postar um comentário Login