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Familiares de presos políticos na Venezuela solicitam ajuda do Vaticano
Vestidas com roupas pretas e brancas, mães de presos políticos marcharam em Caracas nesta sexta-feira (27) até a sede da nunciatura apostólica para requerer que o Vaticano interceda em favor de uma anistia para seus entes queridos.
Sob pressão dos Estados Unidos, a Venezuela instituiu uma lei de anistia significativa em 19 de fevereiro, proposta pela presidente interina, Delcy Rodríguez. No entanto, esta anistia não é automática, sendo necessária a solicitação formal junto ao sistema judiciário.
Delcy Rodríguez assumiu o cargo após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro por forças americanas em 3 de janeiro. Desde então, aproximadamente 700 presos políticos foram soltos.
Os cartazes exibidos pelas mães retratavam mensagens emocionantes, como “Somos mães como Maria, suportando a dor, aguardando justiça” e “A dor de Maria vive em cada mãe que luta por justiça na Venezuela”.
“Estamos aqui para pedir a mediação” do Vaticano, declarou à imprensa Andreína Baduel, filha do general Raúl Isaías Baduel, ex-companheiro do presidente Hugo Chávez, que faleceu em 2021 enquanto estava encarcerado. Seu irmão, Josnars, permanece detido.
“Embora várias famílias tenham se reunido, a dor persiste na maioria dos casos”, afirmou ela. “Não apenas há presos políticos, mas as condições de sofrimento continuam para eles e para nós”, acrescentou, buscando diálogo com representantes da nunciatura.
Outro grupo de parentes vestia uniformes esportivos nas cores amarelo e azul, simulando as roupas dos prisioneiros, e cobriam seus rostos com capuzes semelhantes aos usados durante as visitas aos cárceres.
Diego Casanova, integrante da ONG Comitê para a Libertação dos Presos Políticos (Clippve), qualificou o protesto como “uma procissão silenciosa que expressa a angústia e o sofrimento das mães venezuelanas que esperam por seus entes queridos”.
Marilú Novoa, mãe do agente do serviço de inteligência Sebin, Jhofre Ibrahim Vargas Novoa, detido desde janeiro de 2025, descreveu a situação como uma “Via Crucis”.
“A Via Crucis simboliza o sofrimento experimentado por Jesus por seus filhos; Jesus morreu por todos nós, e é assim que estamos lutando”, afirmou, segurando um cartaz com o rosto de seu filho.
Organizações de direitos humanos consideram que a lei de anistia é excludente, aplicada com discricionariedade e que não assegura reparação às vítimas. Segundo o balanço oficial mais recente, 8.146 pessoas foram anistiadas.
Entidades não governamentais estimam que existam entre 500 e 700 presos por razões políticas na Venezuela.


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