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Economia

Fazenda alerta que juros altos frearam o crescimento do PIB em 2025

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A taxa de juros elevada teve um impacto significativo na desaceleração da economia brasileira em 2025, segundo análise da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. De acordo com uma nota técnica do órgão, a política monetária restritiva influenciou fortemente a atividade econômica, especialmente nos setores que dependem mais de crédito.

Esse cenário mostra que a política monetária contracionista contribuiu para reduzir o ritmo de crescimento, ajudando a fechar o hiato do produto, conforme as estimativas da SPE. A desaceleração tornou-se mais clara no segundo semestre, quando a atividade econômica praticamente não cresceu em comparação ao primeiro semestre. Se não fosse pelo desempenho positivo da agropecuária e da indústria extrativa do lado da oferta, e do setor externo na demanda, a economia teria um resultado ainda mais fraco nos últimos dois trimestres de 2025, destacou a SPE.

Segundo dados do IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3% em 2025, abaixo dos 3,4% de 2024 e representando o menor crescimento desde 2021. Esse desempenho está alinhado com as expectativas de mercado e confirma a perda de ritmo da economia ao longo do ano. Conforme destacado pela SPE, essa desaceleração foi mais evidente no segundo semestre, quando o PIB quase não teve avanço.

Na prática, os juros mais elevados encarecem os empréstimos, dificultam o acesso ao crédito e levam empresas e famílias a postergarem decisões de consumo e investimento. Setores como a indústria de transformação e a construção civil, que dependem fortemente de financiamento, sentiram os efeitos dessa elevação, apresentando pior desempenho no final de 2025, influenciados tanto pelo custo maior do crédito quanto pela redução na expansão dos financiamentos.

Mesmo com esse cenário mais apertado, alguns setores sustentaram o progresso. A agropecuária cresceu 11,7% no ano, beneficiada por safras recordes, enquanto a indústria extrativa teve ganhos com o aumento da produção de petróleo e gás. As exportações também cresceram, ajudando a compensar a fraqueza da demanda interna. Para a Fazenda, sem essa combinação positiva, o desempenho econômico teria sido ainda pior na segunda metade do ano.

Para 2026, a SPE mantém a previsão de crescimento do PIB em 2,3%. A expectativa é de que a agropecuária tenha crescimento menor, mas que os setores da indústria e serviços ganhem impulso com a flexibilização da política monetária — ou seja, com a redução gradual dos juros — e com programas de incentivo ao crédito e investimento, especialmente ligados à construção civil e ao financiamento imobiliário.

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