Economia
fechamento da gestora reag na avenida faria lima
Na Avenida Faria Lima, importante centro financeiro de São Paulo, a liquidação da gestora Reag, fundada por João Carlos Mansur e investigada pela Polícia Federal no caso envolvendo o Banco Master, já era esperada.
Com a divulgação da Operação Compliance Zero, que revelou o uso de fundos administrados pela Reag em um esquema fraudulento com recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a situação da gestora tornou-se insustentável, segundo gestores consultados pelo GLOBO sob condição de anonimato.
A participação da Reag nas fraudes relacionadas ao Banco Master é considerada crucial.
A investigação sobre lavagem de dinheiro, ocultação de bens e empréstimos fraudulentos envolvendo fundos geridos pela Reag colocou em dúvida a confiança no mercado de capitais brasileiro, o maior da América Latina.
Um gestor da Faria Lima comentou que isso revela falhas nos órgãos reguladores ou na segurança do mercado.
Desde sua fundação em 2012, a Reag cresceu rapidamente na Avenida Faria Lima, alcançando o posto de maior gestora independente do país, graças à aquisição de mandatos exclusivos e várias outras gestoras. Essa ascensão rápida gerou desconforto no meio financeiro, onde a credibilidade leva anos para ser construída.
Ascensão e impacto
Em pouco tempo, a Reag tornou-se uma das maiores gestoras, com R$ 341,5 bilhões em fundos administrados, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A gestora administra recursos de investidores privados, fundos de pensão e institucionais, em mais de 500 fundos de investimento.
Em janeiro do ano anterior, a Reag houve sua estreia na B3, a bolsa brasileira, por meio de uma operação de IPO reverso, após adquirir controle da plataforma de serviços Getninjas.
Classificação pelo Banco Central e medidas recentes
Considerada pequena pelo Banco Central, enquadrada no segmento S4, a Reag atua como corretora e distribuidora de títulos de porte muito pequeno comparado ao PIB brasileiro.
Após ser alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração de organizações criminosas no mercado financeiro, a Reag anunciou a venda do controle acionário e a saída do fundador João Carlos Mansur da presidência do Conselho de Administração, buscando preservar sua imagem.
O comunicado oficial destacou que a medida visa proteger a integridade da empresa, seus colaboradores, clientes e acionistas, mantendo a governança sem interferências externas.
A participação majoritária da Reag foi vendida à Arandu Partners Holding, controlada por executivos da própria gestora, em um acordo avaliado em cerca de R$ 75 milhões, com valores adicionais atrelados ao desempenho da receita operacional nos próximos cinco anos.
Apesar da saída do controle, João Carlos Mansur permaneceu em outras empresas do grupo, enquanto o Conselho de Administração passou por mudanças importantes.
Em resposta à operação investigativa, a Reag afirmou desconhecer as irregularidades levantadas, negando envolvimento com estruturas ilegais e explicando que renunciou à gestão de alguns fundos citados nas investigações.
A empresa destacou seus rigorosos controles internos de prevenção à lavagem de dinheiro, alinhados às normas regulatórias vigentes.

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