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Economia

FGC em discussão, diz Haddad após caso Master

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Fernando Haddad, ministro da Fazenda, afirmou nesta terça-feira que especialistas do Banco Central estão debatendo uma reforma mais profunda no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que ficou fragilizado após a compensação aos investidores do Banco Master, que foi liquidado pela autoridade monetária. Segundo Haddad, o Banco Central está em diálogo com instituições do sistema financeiro para encontrar um consenso.

O ministro falou durante o CEO Conference Brasil 2026, evento do BTG Pactual em São Paulo.

“Isso não pode se repetir. Agora, o Banco Central tem especialistas conversando com o sistema regulado para encontrar um entendimento comum. Esse debate está em andamento. Precisamos aprender com esse episódio e eliminar as brechas que permitiram a fraude e a negligência”, disse.

O Conselho de Administração do FGC deve votar ainda esta semana um plano para recuperar os recursos da associação. Estima-se que sejam necessários cerca de R$ 50 bilhões para cobrir as garantias referentes às instituições já liquidadas, além das preocupações sobre eventuais consequências do caso Master.

Com a liquidação do Banco Master, Banco Master de Investimentos, Letsbank e Will Bank, a soma prevista para ressarcimento aos investidores é de R$ 46,9 bilhões. Contudo, acredita-se que o montante a ser arrecadado pode ultrapassar R$ 50 bilhões, já que o fundo precisa se preparar para possíveis impactos adicionais relacionados às instituições ligadas ao banco investigado por fraude financeira.

Fernando Haddad também comentou que não há previsão para sua saída da pasta e evitou indicar um sucessor oficial, referindo-se ao secretário-executivo, Dario Durigan. Durante o evento, o ministro destacou que o Brasil está pronto para debater soluções mais inovadoras para os gastos sociais, mencionando a possibilidade da implementação de uma renda básica como uma alternativa mais sensata dada a grande demanda social no país.

Segundo ele, o atual nível de investimento em assistência social pode abrir caminho para uma reorganização semelhante àquela realizada no início do primeiro governo Lula, quando vários programas foram unificados sob o Bolsa Família.

“Talvez estejamos em um momento que possibilite uma nova estrutura para os gastos, principalmente os assistenciais”, afirmou o ministro.

Questionado sobre a criação de um programa de renda básica, Haddad disse apenas que o país está preparado para explorar outras opções:

“Assim como o governo de Fernando Henrique teve vários programas que depois foram organizados de forma inovadora, acredito que, olhando para o orçamento, o Brasil está pronto para uma solução mais criativa. Esse formato precisará ser criado e aprovado pelos candidatos, principalmente pelo candidato presidencial do PT.”

Fernando Haddad criticou ainda a baixa qualidade técnica do debate sobre a situação fiscal do país e ressaltou problemas deixados pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o não pagamento de precatórios, que são dívidas públicas reconhecidas judicialmente.

Ele também mencionou que regras para flexibilizar o Benefício de Prestação Continuada (BPC) foram estabelecidas em 2021 e que o valor de R$ 600 do Auxílio Brasil não foi incluído no Orçamento de 2023 pelo governo anterior.

“É fácil criticar sem conhecer a complexidade da gestão. Existem o Supremo, o Congresso, o mercado, o setor produtivo e o Palácio do Planalto envolvidos. São muitos desafios para administrar.”

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