Brasil
Filipe Martins busca anular condenação e levará caso a instâncias internacionais
A defesa de Filipe Garcia Martins, ex-assessor da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro (PL), apresentou nesta terça-feira (17) embargos de declaração contra a decisão que o sentenciou a 21 anos de prisão por envolvimento em um plano de golpe de Estado.
No recurso dirigido ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, os advogados solicitam a revisão da sentença, alegando que a Polícia Federal utilizou “provas fraudulentas” na investigação.
Seis pontos de contestação
O recurso está dividido em seis tópicos principais:
- Questiona a competência da Primeira Turma, baseada nos limites fixados pelo plenário na ADPF 572, que restringiria a atuação do tribunal a casos com ameaças diretas à vida dos ministros, o que, segundo a defesa, não inclui a origem do processo, o “Inquérito das Vacinas”. Neste ponto, são apresentadas as teses de lawfare e de conduta estatal intolerável (outrageous government conduct), argumentos que permitem anular processos quando o Estado age de forma injusta.
- Aponta falhas na cadeia de custódia dos registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), citando parecer da Controladoria-Geral da União que confirma a incapacidade do GSI de distinguir visitas oficiais de particulares, além de evidenciarem registros inconsistentes em documentos relacionados a datas cruciais.
- Alega que há interdependência imprópria entre as provas e os fatos apresentados na colaboração premiada, mencionando que Mauro Cid teria controlado as evidências usadas para condenar, infringindo a Lei 12.850/13.
- Destaca erros na cronologia dos fatos e questiona a validade da prova testemunhal, lembrando que o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior afirmou nunca ter visto ou conhecido Martins.
- Reclama da ausência da versão vinculativa nos autos de uma “minuta fantasma”, além de apontar tratamento desigual devido à absolvição de outros envolvidos em situações semelhantes.
- Discute a dosimetria da pena, a correta tipificação do crime e a omissão quanto ao direito à detração penal.
Questões sobre a segunda prisão e o LinkedIn
O recurso aborda ainda a segunda prisão preventiva, decretada por Moraes em 2 de janeiro após suspeita de acesso indevido ao LinkedIn. A defesa revela que a Microsoft apresentou um relatório comprovando que tal acesso não ocorreu e questiona a omissão do Ministério Público Federal e do relator em considerar este documento.
Martins está detido na cadeia pública de Ponta Grossa desde que a prisão foi determinada por Moraes.
A defesa também ressalta que uma manifestação do relator que tratou a situação de Martins como “cumprimento de pena” configura antecipação indevida da sanção penal.
Por fim, informam que o caso será levado a tribunais internacionais e que os embargos têm como objetivo principal registrar as alegadas violações de direitos humanos ocorridas durante o processo. A decisão sobre o recurso será feita pela Primeira Turma após parecer do relator.

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