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Fim das negociações de guerra na Ucrânia em Genebra

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Os representantes da Ucrânia e da Rússia encerraram na quarta-feira (18) o segundo dia de negociações em Genebra, com mediação dos Estados Unidos. Apesar de Kiev relatar “avanços”, não foram divulgados detalhes sobre as discussões que buscam encerrar o conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

As conversas duraram apenas duas horas, muito menos do que as seis horas da reunião de terça-feira, conforme informado pelo líder da delegação russa.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que as divergências entre Kiev e Moscou continuam em pontos cruciais após as negociações em Genebra.

Rustem Umierov, chefe da delegação ucraniana, mencionou que notou “avanços” nas conversações, mas não quis detalhar.

“É um processo complicado que demanda alinhamento entre todas as partes e tempo suficiente. Há progressos, mas neste momento não é possível divulgar detalhes”, disse à imprensa.

Os Estados Unidos exercem pressão para o fim do conflito, que completará quatro anos na próxima semana, mas ainda não conseguiram intermediar um acordo entre Moscou e Kiev sobre a questão territorial.

Vladimir Medinski, líder da delegação russa, descreveu as negociações como “difíceis, porém profissionais”.

“O próximo encontro ocorrerá em breve”, afirmou o negociador russo em declarações à imprensa estatal em Genebra, sem fornecer mais informações.

Durante as conversas, Zelensky acusou a Rússia de tentar prolongar as discussões e afirmou que o primeiro dia foi “realmente difícil”.

Os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra estão paralisados há meses devido à disputa territorial.

A Rússia busca controle total da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, onde já possui 83% do território, como condição para qualquer acordo, ameaçando tomar pela força caso Kiev não aceite. A Ucrânia rejeita essa condição, dada a complexidade política e militar, e insiste em garantias de segurança que impeçam futuras invasões russas.

Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, o conflito causou grande destruição, com inúmeras cidades arrasadas, dezenas de milhares de mortos entre soldados e civis e milhões de deslocados.

Nas horas que antecederam as negociações de quarta-feira, a Rússia lançou 126 drones e um míssil balístico contra o território ucraniano, conforme relatório da Força Aérea da Ucrânia.

Tensão

O primeiro dia das negociações em Genebra durou seis horas e foi marcado por alta tensão, conforme fonte próxima à delegação russa.

O Kremlin manteve Vladimir Medinski como principal representante nas negociações.

Rustem Umierov agradeceu aos Estados Unidos pela mediação e informou os aliados europeus sobre os resultados iniciais, que focaram em aspectos práticos e nos mecanismos de possíveis soluções para a guerra.

Zelensky declarou ao portal Axios que não considera justo que o partido republicano continue pressionando a Ucrânia para aceitar um acordo. Para ele, a paz duradoura não será possível se a vitória for entregue à Rússia dessa forma.

“Espero que isso seja apenas uma tática e não uma decisão final”, acrescentou.

A Rússia controla atualmente quase 20% da Ucrânia, incluindo a Crimeia e territórios retomados pelos separatistas pró-Moscou antes da invasão de 2022.

As forças ucranianas obtiveram recentemente os avanços mais rápidos em mais de dois anos, recuperando 201 quilômetros quadrados na última semana, conforme análise da AFP com base em dados do Instituto para o Estudo da Guerra.

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