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Flávio Bolsonaro busca marqueteiro para diminuir rejeição
Sem o apoio claro de líderes da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta desafios no início da pré-campanha para reduzir sua rejeição e superar barreiras fora do círculo bolsonarista, além de conviver com a concorrência do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), visto por parte do grupo conservador como uma opção mais forte para o Palácio do Planalto.
Por isso, interlocutores consideram fundamental ampliar a base de apoios e criar uma imagem que ultrapasse o bolsonarismo tradicional, o que motivou a busca por um marqueteiro.
Flávio Bolsonaro tem conversado com vários profissionais para encontrar alguém que organize a estratégia, fortaleça a comunicação e trace o plano para 2026.
O objetivo é achar um nome que associe a imagem do senador à do pai, mas que ao mesmo tempo transmita uma postura mais moderada e individualizada.
A expectativa é que a campanha evolua de um tom reativo e pautas identitárias para atributos presidenciais – como agenda econômica, discurso institucional e capacidade de diálogo.
Há uma demanda por profissionalizar a produção de conteúdo e integrar melhor as redes sociais, a imprensa e a agenda territorial, áreas que têm sido críticas em campanhas bolsonaristas anteriores.
Desafios da campanha
Um dos principais obstáculos para tornar o nome competitivo é baixar o alto índice de rejeição. Pesquisa recente da Genial/Quaest indica uma diminuição da rejeição a Flávio Bolsonaro, de 60% para 55%, embora o número continue maior que o do governador Tarcísio de Freitas, que está em 43%.
Na pré-campanha, o publicitário Daniel Braga, vinculado ao senador Rogério Marinho (PL-RN) e coordenador, começou a ajudar Flávio na produção de conteúdos para as redes, mas não deve assumir o papel principal de estrategista. O marqueteiro Duda Lima, ligado ao PL, também foi lembrado, mas a possibilidade é remota após o desgaste da campanha de Ricardo Nunes em 2024.
Além disso, o partido reconhece que a estrutura digital de Flávio está distante do nível que Jair Bolsonaro consolidou ao longo dos anos, apesar de o senador ter aumentado seus seguidores desde que passou a ser visto como presidenciável.
Jair Bolsonaro não posta nas redes desde julho, mantendo 27 milhões de seguidores no Instagram; Flávio tem 8,3 milhões, cerca de 30% do que o pai possui, reforçando a ideia interna de que somente o bolsonarismo orgânico não sustentará uma campanha nacional.
Expansão eleitoral e estratégias regionais
Outro desafio é ampliar a força eleitoral em áreas dominadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobretudo no Nordeste. O senador Rogério Marinho, nordestino e próximo da família, é visto como peça-chave para articular apoios na região.
O PL trabalha para consolidar a vantagem onde Bolsonaro foi vitorioso e diminuir a diferença no Nordeste, especialmente em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Maranhão e Bahia.
Em 2022, Lula venceu em todos os nove estados do Nordeste, região onde teve cerca de 69,3% dos votos válidos, ante 30,6% de Bolsonaro, contribuindo significativamente para sua vitória nacional.
Embora Bolsonaro tenha ganhado no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, o impacto eleitoral do Nordeste foi determinante para o resultado final.
Para alcançar esse objetivo, palanques fortes são essenciais, mas ainda há tensões em aproximadamente dez estados, incluindo Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás.
O papel de Michelle Bolsonaro
Há também uma movimentação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que, segundo aliados, trabalha para promover Tarcísio de Freitas como candidato à presidência, especialmente se Jair Bolsonaro cumprir prisão domiciliar.
Dirigentes do PL afirmam que primeiro Flávio deve conquistar o apoio da madrasta, que prefere a candidatura do governador, este que já declarou intenção de reeleição.
Aliados reconhecem que Flávio precisa demonstrar ao próprio grupo que tem capacidade para liderar a transição em caso de inelegibilidade ou prisão de Jair Bolsonaro.
Tarcísio de Freitas afirma ser candidato à reeleição, mas cancelou uma visita ao ex-presidente semanas atrás, após Flávio afirmar que o pai consideraria as eleições nacionais inviáveis neste momento.
Ele é visto por setores empresariais e políticos do Centrão como uma alternativa mais viável para o Palácio do Planalto.

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