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Flávio enfrenta resistência no agro e teste Caiado e Ratinho Jr

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O agronegócio, um dos principais setores apoiadores do governo de Jair Bolsonaro, mostra cautela em apoiar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adotando uma postura mais reservada em relação ao bolsonarismo observado desde 2018. Nos bastidores do setor rural e entre líderes produtivos, existe uma expectativa para maiores definições sobre a disputa política à direita antes de firmar um compromisso com o senador.

Essa hesitação contrasta com o forte apoio registrado nas eleições de 2022, quando a maioria do setor manifestou total apoio a Bolsonaro. Atualmente, a bancada ruralista observa um cenário mais fragmentado, onde os produtores avaliam diferentes opções antes de decidir seu posicionamento político.

Parte dessa cautela resulta da decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que optou por permanecer no cargo e ficar fora da corrida presidencial. Ele era visto como o candidato mais capaz de unificar a direita, conciliando interesses do mercado financeiro e do eleitorado conservador.

Um parlamentar influente no setor comentou que Flávio Bolsonaro talvez não seja o nome ideal para um Brasil moderno, enquanto acreditam que Tarcísio seria o candidato mais apropriado para enfrentar o PT neste pleito. Contudo, ressaltam que uma alternativa pior seria manter o governo petista, que, segundo eles, não valoriza as propriedades rurais, nem a segurança, e não inspira confiança para a redução dos juros.

Esse contexto tem gerado especulações sobre a possível inclusão da senadora Tereza Cristina (PP-MS) na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Ex-ministra da Agricultura e figura importante no agronegócio, Tereza é vista como um nome capaz de diminuir a resistência do setor à pré-candidatura do senador, trazendo maior credibilidade ao PL. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também é mencionado como um defensor dessa aliança.

Porém, dentro do próprio agronegócio, essa ideia é recebida com prudência. Há quem considere que Tereza Cristina teria mais poder de influência se disputasse a presidência do Senado em 2027, em vez de se expor ao desgaste de uma campanha presidencial agora. A própria senadora evita alimentar essas especulações, afirmando que o vice é uma escolha estratégica para ser definida no momento certo, de acordo com coligações e interesses partidários.

Alternativas à Direita

Com Tarcísio de Freitas fora da disputa presidencial, nomes como o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), têm ganhado destaque nas conversas políticas. Médico e pecuarista, Caiado tem uma trajetória ligada ao movimento ruralista e mantém forte ligação com entidades do setor.

À frente do governo de Goiás, estado cuja economia é fortemente sustentada pelo agronegócio, Caiado tem adotado medidas para fortalecer o setor, como a eliminação da contribuição dos produtores ao Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra) e a criação de linhas de crédito e programas de apoio a setores específicos da produção rural, como a cadeia do leite. Sua presença frequente em eventos agropecuários também gera proximidade com lideranças rurais.

Outro nome citado é o do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que está em seu segundo mandato e tem implementado programas para a infraestrutura rural, incluindo expansão da rede elétrica e iniciativas para melhorar a conectividade no campo, além de políticas de crédito para a agropecuária.

Diferentemente de Flávio Bolsonaro, que ainda busca consolidar laços com o setor, Caiado e Ratinho Júnior contam com a vantagem de governar estados onde o agronegócio tem papel fundamental na economia, o que fortalece o diálogo direto com produtores e entidades do segmento.

No entanto, aliados de Flávio dentro da bancada ruralista defendem que o senador possui credenciais para herdar parte do legado político do bolsonarismo no campo. O deputado Evair de Melo (PP-ES), membro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), destaca que a agenda de Flávio atende às demandas históricas do setor, como segurança jurídica, respeito à propriedade privada, rigor fiscal e controle dos gastos públicos.

Nos bastidores, entretanto, a maioria dos líderes rurais permanece cautelosa. Alguns expressam dúvidas sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro em ampliar seu apoio além do núcleo bolsonarista. A definição do apoio político deve depender da consolidação das candidaturas nos próximos meses, com alguns considerando Ratinho Júnior uma alternativa viável caso confirme sua candidatura pelo PSD, enquanto outros ponderam que diferenças regionais podem dificultar um alinhamento automático entre os partidos com forte presença na bancada ruralista.

Colaborou Luiz Felipe Azevedo, do Rio

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