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França pode agir sozinha para proteger agricultura de acordo UE-Mercosul

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Annie Genevard, ministra da Agricultura da França, declarou nesta sexta-feira (9) que o país poderá tomar medidas isoladas se o setor agrícola e de pecuária francês for afetado pelo acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que a França tentou impedir sem sucesso.

A ministra falou durante uma coletiva de imprensa em resposta aos protestos recentes dos agricultores contra a implementação do acordo e a forma como está sendo tratada a doença dermatose nodular bovina.

Sobre se a adoção do acordo representa uma derrota para a França na Europa, Genevard ressaltou as concessões feitas por Bruxelas aos agricultores europeus desde o fechamento do acordo em Montevidéu, em dezembro de 2024.

“A França fez-se ouvir”, garantiu a ministra, que alertou: “Não hesitaremos em tomar várias medidas sozinhas assim que acharmos que nossos setores estão ameaçados”.

Genevard mencionou como exemplo a suspensão por um ano da importação para a França de certos produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, especialmente da América do Sul.

Apesar da oposição de países como França, Polônia, Irlanda e Hungria, a União Europeia aprovou o acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai por maioria qualificada em uma reunião de seus embaixadores em Bruxelas.

Essa aprovação permite que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo no Paraguai em 17 de janeiro, conforme anunciado pelo chanceler argentino, Pablo Quirno.

No entanto, o Parlamento Europeu ainda precisa aprovar o tratado comercial, e seu desfecho é incerto, pois cerca de 150 parlamentares de 720 indicam a possibilidade de recorrer à Justiça para barrar sua aplicação.

“A história não termina aqui. Há um ator crucial que entrará em cena: o Parlamento Europeu”, ressaltou a ministra francesa.

A Comissão Europeia negocia esse amplo acordo desde 1999 com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores.

O setor agrícola europeu tem receio sobre o aumento significativo na entrada de carne, arroz, mel e soja provenientes da América do Sul, em troca da exportação para o Mercosul de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus.

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