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França reforça energia nuclear para reduzir uso de combustíveis fósseis
O governo da França anunciou nesta quinta-feira (12) uma nova estratégia para a energia no país, que destaca a intensificação do uso da energia nuclear na próxima década. O objetivo é diminuir a dependência de combustíveis fósseis importados e reduzir a emissão de carbono no setor elétrico.
O presidente francês, Emmanuel Macron, havia antecipado em 2022 a revitalização do setor nuclear como parte da meta de alcançar a neutralidade do carbono até 2050. Essa mudança representa uma inversão de direção em relação à política adotada entre 2019 e 2024, que contemplava o encerramento de 14 reatores nucleares.
O plano para 2026-2035 prevê a manutenção eficiente das 57 usinas nucleares atuais e a construção de seis usinas adicionais, com possibilidade de ampliar mais oito unidades.
O foco é fazer com que o consumo de energia elétrica dos usuários deixe de ser baseado em petróleo e gás. Contudo, o plano mantém uma expansão mais moderada das fontes eólica terrestre e solar, que frequentemente enfrentam resistência devido ao impacto visual que causam.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, destacou que essa iniciativa é vital para evitar a dependência de outros países em relação a combustíveis fósseis.
Atualmente, o petróleo e o gás ainda correspondem a 60% do consumo energético da França, o que levou o país a gastar 64 bilhões de euros (aproximadamente R$ 411 bilhões) em importações desses recursos em 2024.
Além disso, o uso desses combustíveis fósseis contribui para o aquecimento global e deixa a França vulnerável à influência de outras potências, como Rússia e Estados Unidos.
A meta do governo é reduzir para menos de 40% a participação dos combustíveis fósseis no consumo energético até 2035.
No entanto, a energia nuclear suscita debates polêmicos, pois grupos ambientalistas alertam para os perigos associados à segurança das usinas e ao manejo dos resíduos radioativos.
Em dezembro do ano passado, a França divulgou um novo plano para atingir neutralidade de carbono em 2050, com a proposta de eliminar o uso de petróleo entre 2040 e 2045 e extinguir o uso do gás natural até 2050.

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