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França restringe importação agrícola por causa do acordo UE-Mercosul

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A França anunciou nesta quarta-feira (7) a suspensão temporária da entrada de determinados produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, provenientes principalmente da América do Sul, em resposta aos protestos do setor agrícola contra o acordo comercial UE-Mercosul.

Com a iminente assinatura do tratado, França e UE procuram maneiras de acalmar seus agricultores e pecuaristas, que estão preocupados com o impacto da chegada dos produtos agropecuários das grandes potências do Mercosul: Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.

Os ministros europeus da Agricultura irão se reunir em Bruxelas para discutir essas preocupações, ao mesmo tempo em que os protestos continuam na França, onde agricultores bloqueiam estradas usando tratores.

Para atender às demandas, a França decidiu suspender a importação de certos itens agrícolas que contenham cinco fungicidas e herbicidas banidos na Europa: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil. Essa medida valerá por um ano, a partir da publicação oficial, e deverá ser analisada pela Comissão Europeia.

Produtos como abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, se tratados com essas substâncias, estão proibidos de entrada no país. A suspensão atinge principalmente os países sul-americanos, mas não foi feita com o intuito de visar especificamente essa região.

Bruxelas terá até dez dias para examinar a medida, e poderá optar por mantê-la, ampliá-la para toda a UE, ou rejeitá-la.

O decreto também impõe que empresas do setor de alimentos implantem controles para garantir que os produtos importados não contenham essas substâncias proibidas.

Protegendo a agricultura francesa

O governo do presidente de centro-direita Emmanuel Macron está sob forte pressão do setor agrícola, que já promoveu protestos vigorosos nos últimos invernos europeus. A mobilização continua forte, e o setor exige soluções imediatas.

Além disso, há tensão política: se Macron apoiar o Mercosul, pode enfrentar censura dentro do governo, conforme alertou o líder conservador Bruno Retailleau. O ministro para a Europa, Benjamin Haddad, mantém que o tratado ainda é inaceitável, apesar de melhorias recentes. Ainda assim, a assinatura pode acontecer em 12 de janeiro, se aprovada pelo Conselho Europeu.

Para acalmar os agricultores, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs um financiamento adicional de 45 bilhões de euros no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034.

O receio é que a entrada em massa de produtos como carne, arroz, mel e soja do Mercosul, que possuem custos de produção mais competitivos, prejudique os agricultores europeus. Em troca, a UE exportaria veículos e máquinas para os países do Mercosul.

Além disso, há insatisfação com o manejo da dermatose nodular bovina na França. O governo exige o abate dos animais infectados e rejeita a vacinação nacional.

Segundo o pecuarista Pierre Solana, presente em um comboio de aproximadamente 100 veículos próximo a Toulouse, no sul da França, é crucial encontrar uma solução para preservar a agricultura local.

Ele afirmou que trata-se de uma luta constante e que os agricultores estão determinados a continuar buscando respostas e atenção para seus problemas.

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