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França vence votações contra acordo UE-Mercosul
O governo da França conseguiu superar duas tentativas de moção de censura, apresentadas por grupos da esquerda radical e extrema direita, devido ao acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul, apesar da França se opor a sua ratificação.
No próximo sábado, dia 17, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, planeja assinar um tratado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai que criará a maior área de livre comércio global, englobando 700 milhões de consumidores.
Entretanto, os agricultores franceses, apoiados por diversos setores políticos nacionais, manifestam forte oposição, preocupados com o impacto das importações de carne, arroz, mel e soja dos países do Mercosul, em troca da exportação de automóveis e maquinaria europeia.
Apesar dos autores defenderem as moções como um suporte aos agricultores, elas receberam 256 e 142 votos favoráveis, precisando no mínimo 288 votos para derrubar o governo do primeiro-ministro de centro-direita, Sébastien Lecornu.
Os partidos por trás das moções criticam o governo por não ter feito o suficiente para se contrapor, sugerindo que poderia ter levado o caso ao tribunal europeu ou ameaçado cortar a contribuição ao orçamento da União Europeia.
Mathilde Panot, líder da esquerda radical, afirmou que durante anos o governo não só não se opôs ao tratado como também o apoiou. Já a deputada da extrema direita, Hélène Laporte, destacou as declarações contraditórias do presidente Emmanuel Macron sobre o acordo.
Sébastien Lecornu rebateu as críticas, acusando a extrema direita e a esquerda radical de promoverem a divisão, enquanto todos os partidos deveriam se unir para garantir que o Parlamento Europeu rejeite o acordo comercial.
O líder do partido conservador Os Republicanos, Bruno Retailleau, explicou que não apoiou a moção de censura pois acredita que ela não acrescenta nada e que a decisão final caberá ao Parlamento Europeu.
A oposição socialista, que também não apoiou a censura, pediu para que o governo leve o tratado comercial ao Tribunal de Justiça da União Europeia. As moções chegam num momento delicado para o governo de Macron, que busca aprovar os orçamentos para 2026 e conter os protestos dos agricultores.
Após prometer uma “lei de emergência agrícola” e outras medidas na terça-feira, o sindicato agrícola principal, FNSEA, começou a retirar seus tratores da Assembleia Nacional e a deixar Paris.
O partido de esquerda radical La France Insoumise também justificou sua moção pelo que chamou de “humilhação” sofrida pela França durante uma operação militar americana na Venezuela, que Macron não teria sido capaz de condenar.
A Assembleia Nacional realizará um debate sobre a Venezuela no dia 19 de janeiro.

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