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Fungo perigoso da lista crítica da OMS pode ser mais mortal, diz pesquisa
Um estudo recente revelou que um fungo listado como ‘prioridade crítica’ pela Organização Mundial da Saúde (OMS) pode se tornar ainda mais letal quando ocorre coinfecção com tuberculose. A pesquisa foi divulgada na revista científica Journal of Medical Microbiology.
A equipe investigativa descobriu que o fungo Cryptococcus neoformans, que infecta as pessoas pela inalação de esporos ou células presentes no ambiente, apresenta um risco de morte muito maior quando combinado com a bactéria Mycobacterium tuberculosis, causadora da tuberculose, em comparação com a infecção somente pelo fungo.
Orlando Ross, primeiro autor do estudo e doutorando na Universidade de Exeter, Reino Unido, explicou que o objetivo era avaliar como a co-incubação destes microrganismos afeta a forma e o tamanho das células do fungo, tornando-as mais agressivas.
Os resultados confirmaram que, na presença das micobactérias, o Cryptococcus neoformans modifica sua densidade, diversidade celular e o tamanho da cápsula protetora, tornando o fungo ainda mais nocivo ao organismo.
Ao simular o ambiente pulmonar com coinfecção, os pesquisadores viram que as células do sistema imunológico são mais facilmente invadidas pelo fungo quando expostas à tuberculose, piorando o prognóstico do paciente.
Lista crítica da OMS
Em 2022, a OMS classificou 19 tipos de fungos que apresentam crescente resistência aos tratamentos e risco global de saúde, divididos em três níveis: médio, alto e crítico. Entre os fungos considerados de prioridade crítica estão quatro espécies: Aspergillus fumigatus, Candida albicans, Cryptococcus neoformans e Candida auris.
O Cryptococcus neoformans é conhecido por causar infecções cerebrais graves e é uma das principais causas de doença em pacientes com HIV/AIDS, resultando em cerca de 180.000 mortes anuais no mundo.
As infecções fúngicas são responsáveis por aproximadamente 1,7 milhão de óbitos e mais de 150 milhões de hospitalizações graves anualmente em todo o planeta. A OMS também mantém listas similares para vírus e bactérias para direcionar pesquisas prioritárias.

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