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Economia

Galeão é vendido por R$ 2,9 bilhões para espanhóis da Aena

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A empresa espanhola Aena venceu o leilão realizado na tarde desta segunda-feira para a repactuação da concessão do Aeroporto do Galeão, o terceiro mais movimentado do Brasil, ficando atrás apenas dos aeroportos de Guarulhos e Congonhas, ambos em São Paulo.

A Aena superou a atual administradora, a RIOGaleão (atualizada para Rio de Janeiro Aeroporto), e a suíça Zurich. O consórcio Rio de Janeiro Aeroporto foi formado pela gestora brasileira Vinci Compass e pela operadora de Cingapura Changi.

As propostas foram abertas a partir das 15h na B3, em São Paulo, e a disputa se decidiu após 26 lances vivos entre as três concorrentes.

O lance mínimo para participação era de R$ 932 milhões. A Aena e a Zurich apresentaram propostas iniciais de R$ 1,5 bilhão, correspondendo a um ágio de 60,80%, enquanto a Rio Galeão ofertou R$ 934 milhões, um ágio de 0,13%.

Após a intensa disputa, os espanhóis da Aena ofereceram a proposta final de R$ 2,9 bilhões, um ágio de 210,88%, levando assim a concessão dos atuais administradores. O valor ultrapassa três vezes o lance mínimo estabelecido e deverá ser pago à vista.

Durante o leilão ao vivo, a disputa inicial concentrou-se entre a Aena e a Rio de Janeiro Aeroporto, mas quando a Aena atingiu R$ 2,2 bilhões, a Zurich tentou competir oferecendo valores com um centavo de diferença. A Aena respondeu fazendo lances com aumentos de R$ 100 milhões para garantir a liderança.

O novo contrato prevê que a concessionária assuma a totalidade da operação do terminal, com a Infraero saindo da sociedade, na qual detinha 49% da concessão. O prazo do contrato se estende até 2039.

Este novo leilão foi resultado de um acordo homologado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), visando substituir a devolução do terminal ao governo por uma nova concessão, com condições mais alinhadas ao modelo atual de concessões aeroportuárias no Brasil, promovendo o reequilíbrio econômico do contrato original.

Dentre as novidades contratuais, a substituição dos pagamentos fixos por uma contribuição anual variável de 20% sobre o faturamento bruto alivia a situação financeira da concessionária vencedora. Além disso, a cláusula que exigia a construção de uma nova pista foi removida, ajustando a operação conforme a demanda atual.

Em 2023, o Galeão atingiu seu recorde de passageiros, transportando 17,5 milhões, ainda que tenha capacidade para até 30 milhões por ano, indicando grande potencial de crescimento.

O contrato também prevê compensações financeiras para o Galeão caso o aeroporto Santos Dumont ultrapasse limites estabelecidos de número de voos. Além disso, são extintos litígios bilionários anteriores entre a concessionária e a União, garantindo maior segurança jurídica para a entrada da nova administradora.

A concessão do Aeroporto Internacional Tom Jobim, conhecido como Galeão, foi inicialmente leiloada em 2013, em um momento de otimismo com o turismo no Rio de Janeiro pré-Copa do Mundo e Olimpíadas. Naquela época, a Odebrecht se associou à Changi numa oferta de R$ 19 bilhões por 51% do terminal, enquanto os 49% restantes ficaram com a Infraero.

No auge desses eventos esportivos, o Galeão transportou entre 16 e 17 milhões de passageiros anualmente, mas a crise econômica entre 2014 e 2016 impactou negativamente as previsões contratuais. Em 2017, a Odebrecht vendeu sua participação para a Changi devido às consequências da Operação Lava Jato.

Em 2022, com a pandemia de Covid, o movimento caiu para 6 milhões de passageiros enquanto o Santos Dumont manteve 10 milhões. Nesse cenário, a Changi solicitou a devolução da concessão ao governo federal, destacando o desempenho econômico adverso no Brasil desde 2013 e os efeitos da pandemia na aviação civil.

A RIOGaleão informou ter investido R$ 2,6 bilhões desde o início de sua concessão, mas em 2023 desistiu de devolver o aeroporto ao governo após negociações de reequilíbrio do contrato.

Para fortalecer o Galeão como um hub internacional, o governo federal limitou as operações do Santos Dumont a 6,5 milhões de passageiros por ano, direcionando voos de longa distância para o Galeão. Uma portaria de agosto de 2023 estabeleceu o início da migração desses voos a partir de janeiro de 2024, buscando aumentar o tráfego no terminal internacional.

A coordenação entre os aeroportos do Rio é vista como essencial para o sucesso da operação. Desde as restrições no Santos Dumont, seu número de usuários caiu pela metade, enquanto o Galeão viu um aumento de 83% no movimento.

Em agosto de 2025, a Changi vendeu 70% de suas ações para a Vinci Compass, mantendo 15,3%, enquanto a Vinci passou a deter 35,7% da RIOGaleão. Segundo o acordo com o TCU, a Infraero sai da concessão e haverá novo leilão com a participação da atual concessionária, porém sem direito de preferência.

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