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Google ajusta Discover para favorecer conteúdo original e reduzir cliques fáceis

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O Google anunciou recentemente uma atualização para o Google Discover, seu feed de notícias disponível em dispositivos móveis e computadores. A mudança visa diminuir a quantidade de conteúdo sensacionalista focado em “cliques fáceis” e valorizar matérias originais e detalhadas, preferindo sites localizados no país do usuário.

Segundo o Google, seus testes indicam que esses ajustes tornaram o Discover mais útil e relevante para os usuários. A empresa busca afastar conteúdos sensacionalistas que proliferaram nos últimos anos e dar mais destaque a produções jornalísticas autênticas, um pedido frequente de donos de sites e veículos de comunicação.

Os algoritmos do Google avaliarão o grau de especialização dos sites em tópicos específicos para determinar quais conteúdos aparecerão no feed. Assim, um site com expertise comprovada em um tema específico terá mais chances de ser exibido, mesmo que também publique sobre outros assuntos.

As alterações serão implementadas primeiramente nos Estados Unidos para notícias em inglês e, em seguida, ampliadas para outros países e idiomas.

Lançado em 2018, o Discover seleciona conteúdos com base no comportamento do usuário, apresentando notícias consideradas relevantes para seu perfil. Ele está presente no aplicativo do Google, na página inicial do navegador Chrome e em gestos específicos em aparelhos Android.

Nos últimos tempos, o Discover se tornou uma fonte importante de audiência para sites e veículos de mídia, representando uma grande fatia do tráfego originado pelo Google. Entretanto, o aumento de conteúdo sensacionalista prejudicou a experiência e gerou insatisfação no setor jornalístico.

— À primeira vista, essa é uma mudança bastante positiva e aguardada, pois valoriza o jornalismo profissional e original, algo que defendemos há anos. Vamos acompanhar a aplicação dessas mudanças, mas o Google demonstra claramente a intenção de diminuir a visibilidade de conteúdos que imitam jornalismo apenas para atrair cliques, enganar usuários e obter lucro. Se for bem sucedida, essa atualização poderá revitalizar o Discover e aumentar sua relevância como fonte de conteúdos importantes para o público — declarou Marcelo Rech, presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ).

Medidas adicionais para controlar conteúdo

Essa atualização faz parte de uma série de esforços do Google para fortalecer o engajamento com sites e veículos jornalísticos, que enfrentaram queda de audiência devido aos recursos de inteligência artificial (IA) introduzidos na ferramenta de buscas.

Em novembro de 2025, o Google passou a permitir que os usuários escolham os sites e criadores que desejam seguir no Discover, aumentando o controle sobre o conteúdo exibido.

Em dezembro do mesmo ano, lançou o recurso “fontes preferidas”, que dá destaque a sites selecionados pelo usuário na página de buscas. Foi também ampliada a visibilidade de URLs no “modo IA”, que gera resumos automáticos das pesquisas realizadas.

Além disso, o Google firmou parcerias com veículos como Der Spiegel, The Guardian e The Washington Post para utilizar uma ferramenta de IA que cria sumários de notícias dentro do Google News.

Essas iniciativas visam reduzir o impacto da IA generativa sobre o tráfego de sites, embora o Google sustente que os resumos automáticos não tenham prejudicado a audiência.

Pesquisas recentes indicam uma queda no tráfego de buscas globalmente, com um aumento no número de pesquisas que não resultam em cliques para links originais.

Uma pesquisa do Pew Research Center de março de 2025 revelou que apenas 1% dos usuários do Google clicam em links apresentados em resumos gerados por IA no serviço.

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